Breno Bidon, do Corinthians, sonha com a primeira convocação à Seleção

Resumo breve
Com criatividade, improviso e quase 140 jogos pelo Corinthians, o meia de 21 anos Breno Bidon tenta chamar a atenção de Carlo Ancelotti para a renovação da Seleção Brasileira após a eliminação precoce na Copa do Mundo 2026.
Com a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo FIFA 2026™, a Seleção já projeta o futuro. Com quatro anos inteiros pela frente até a próxima edição do torneio, o técnico Carlo Ancelotti inicia uma reformulação no elenco, e a busca por meio-campistas é sua prioridade máxima.
Um dos nomes mais promissores dessa nova geração é Breno Bidon, meia de 21 anos, canhoto, que já acumula quase 140 partidas pelo Corinthians, um dos gigantes do futebol paulista. Campeão estadual e da Copa do Brasil em 2025, Bidon teve papel decisivo na conquista da Supercopa do Brasil deste ano, sobre o Flamengo, sendo eleito o melhor jogador da partida. Sua atuação chamou a atenção do companheiro holandês Memphis Depay, que não poupou elogios e o indicou para a Seleção.
“Ele é um jogador muito inteligente e tem um potencial enorme”, disse o atacante da Holanda. “É trabalhador e mentalmente forte, e precisa começar a jogar pelo Brasil.”
Em conversa com a FIFA, Bidon admitiu que a possibilidade de integrar a próxima lista de Ancelotti está em seus pensamentos. “É meu sonho jogar pelo meu país”, explicou o jovem, que foi peça-chave na conquista do Sul-Americano Sub-20 do ano passado. “A Seleção foi eliminada da Copa um pouco cedo, mas agora é hora de focar no que vem pela frente. Quem sabe? Talvez eu seja chamado na próxima vez. Vou trabalhar muito para que isso aconteça.”
Oportunidade na Libertadores
Bidon terá uma excelente chance de impressionar Ancelotti quando o Corinthians enfrentar o Rosario Central, da Argentina, nas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores 2026, ainda neste mês. Conquistar o título continental daria ao meia seu primeiro gosto do palco global, já que o campeão sul-americano disputa a Copa Intercontinental da FIFA™ no fim do ano.
Descrito por Ramon Menezes, técnico que levou o Brasil ao título Sul-Americano Sub-20 no ano passado, como um “jogador especial”, Bidon confia na força da base brasileira: “O Brasil tem muita profundidade. Somos a casa do futebol e sempre produzimos muitos jogadores talentosos. O Rayan já chegou da nossa geração e fez uma boa Copa, e com certeza há outros grandes jogadores surgindo.”
Aprendizado com Diniz e inspiração em Bruno Guimarães
Bidon busca aprender o máximo possível no Corinthians sob o comando de Fernando Diniz, ex-técnico da Seleção, que também treinou Rayan no Vasco da Gama. Outro discípulo de Diniz é Bruno Guimarães, que atuou sob o comando do treinador por várias temporadas e serve de espelho para o jovem.
“O Bruno joga na mesma posição que eu e fez uma Copa muito boa”, disse Bidon. “Ele perdeu um pênalti na derrota para a Noruega nas oitavas, mas foi bem no torneio e se destacou. É uma inspiração para mim.”
Bidon teve atuação de destaque na final da Copa do Brasil do ano passado, contra o Vasco, quando aplicou um drible desconcertante em Cauã Barros no próprio campo e avançou em velocidade, ajudando a armar o gol de Depay na vitória por 2 a 1 no jogo de volta.
Apesar dos elogios do atacante holandês, do status de ídolo da torcida corintiana e do crescente interesse de clubes europeus, Bidon mantém os pés no chão. Ele sabe que ainda tem muito a evoluir.
“Sou muito novo: ainda tenho 21 anos e muito a aprender, muitas coisas em que preciso trabalhar”, explicou. “Há muitos jogadores experientes no clube que atuam na mesma posição e sempre conversam comigo e me ajudam muito, como o Rodrigo Garro.”
Trajetória de superação
Nascido em 2005, Bidon passou por três períodos nas categorias de base do Palmeiras, mas foi dispensado em todas as vezes. Também jogou no sub-11 da Portuguesa e no sub-13 do Audax antes de sua grande oportunidade.
Tudo aconteceu em um sábado nublado de 2019, quando o olheiro Robson Zimerman, do Corinthians, o viu atuando pelo Clube Esportivo da Penha, de São Paulo, em um torneio de futsal sub-14. A atuação do jovem compensou o tempo fechado e, em pouco tempo, ele já vestia a camisa do Timão na categoria.
Recordando o dia, Zimerman contou: “Ele jogava futsal pelo Penha e, quando o vimos, percebemos que era um garoto com muito potencial. Então, fui conversar com os pais dele, Andreia e Glaucio, para acertar uma semana de teste no futebol de campo no Corinthians.”
“Ele veio, fez o teste e, em poucos dias, o treinador já havia pedido para ele treinar com o elenco. Recebemos o sinal verde na semana seguinte. Ele evoluiu tanto desde então que é uma loucura, mais do que qualquer outro daquele grupo de sub-14. Ele não era o mais forte na época, mas trabalhou sua movimentação e a briga pela bola. Desenvolveu-se em todos os sentidos.”
Durante sua passagem pelas categorias de base do Corinthians, Bidon conquistou o título estadual sub-17 em 2021 e a Copa São Paulo – a competição de base mais antiga do Brasil – três anos depois, quando foi eleito o melhor jogador do torneio.
As atuações de Bidon nos times de base do Corinthians levaram o ex-meia Danilo, então técnico do sub-20 do clube, a recomendar ao seu colega de posição Ramon Menezes que observasse o jogador de perto. Danilo, bicampeão da Libertadores e da Copa Intercontinental com São Paulo (2005) e Corinthians (2012), destacou as qualidades do jovem, incluindo sua liderança.
Menezes ficou impressionado, como explicou à FIFA: “O Breno é um dos melhores atletas com quem trabalhei nessa posição.”
Foi no Sul-Americano Sub-20 de 2025 que Menezes confiou a Bidon um papel de meio-campista box-to-box, desempenhado com perfeição.
“A inteligência de jogo dele é fora da curva em todos os aspectos: na defesa, no posicionamento, e também na técnica e na capacidade de chegar em boas posições de ataque”, continuou Menezes. “Ele também tem aquela típica habilidade brasileira de improvisar e ser criativo, como todos os grandes jogadores. Ajuda a manter a posse porque adora ter a bola, mas também sabe dar passes em profundidade. Sempre que recupera a posse, já está armando a transição.”
“O Breno é um daqueles jogadores que olha e lê o jogo quando recuperamos a posse”, acrescentou Menezes. “Ele também pode aparecer do nada e chegar em posições de marcar, mas você sabe que ele adora criar também, porque joga pelo time.”
Com a trajetória de Bidon em ascensão e Ancelotti em busca de meio-campistas, o tempo dirá quando o jovem craque do Corinthians terá sua chance de sonho com a Seleção.
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