A jornada de Marta até se tornar ícone da Copa do Mundo Feminina

Resumo breve
Marta Vieira da Silva, a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina, começou sua trajetória no Mundial Sub-20.
Marta Vieira da Silva, a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina da FIFA, é um dos exemplos mais brilhantes de como o torneio juvenil serve como vitrine para futuras estrelas. Aos 40 anos, ela ainda encanta os gramados, mas foi no Mundial Sub-20 que o mundo viu o primeiro lampejo de sua genialidade.
Das origens humildes ao estrelato
Nascida em Dois Riachos, no sertão de Alagoas, Marta enfrentou inúmeras dificuldades antes de se tornar um ícone global. Sua determinação e talento a levaram para além das fronteiras do Brasil, brilhando em clubes da Suécia e dos Estados Unidos, onde conquistou diversos títulos. Entre 2006 e 2010, ela foi eleita a Melhor Jogadora do Mundo pela FIFA por cinco anos consecutivos, e em 2018, já com o prêmio renomeado para The Best FIFA Women's Player, recebeu a honraria pela sexta vez.
O número seis tornou-se uma constante em sua carreira: seis prêmios individuais da FIFA, seis participações em Copas do Mundo Femininas. Em sua homenagem, a FIFA criou o Prêmio Marta, concedido anualmente ao gol mais bonito do futebol feminino.
O início no cenário mundial: Canadá 2002
Em 2002, o torneio que hoje conhecemos como Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA foi lançado com o nome de Campeonato Mundial Feminino Sub-19, com limite de idade de 19 anos. As duas primeiras edições, no Canadá e na Tailândia, em 2004, foram realizadas sob essa nomenclatura. A partir de 2006, o limite subiu para 20 anos e o torneio ganhou o nome atual, mas as edições anteriores são consideradas parte da história da competição.
Marta chegou ao Canadá para a edição inaugural como parte de uma seleção brasileira que também contava com Cristiane. Rapidamente, ela se destacou como uma das principais jogadoras do torneio, marcando um hat-trick na vitória por 4 a 0 sobre a França na fase de grupos e mais dois gols na emocionante vitória por 4 a 3 sobre a Austrália nas quartas de final.
Na semifinal, contra o Canadá, a jovem sensação marcou o gol de empate depois que o Brasil saiu atrás no placar. O time da casa venceu nos pênaltis por 4 a 3, mas Marta terminou o torneio com seis gols em seis partidas e recebeu a Bola de Prata.
Consolidação na Tailândia e o salto para o time principal
Dois anos depois, Marta retornou ao torneio juvenil com muito mais experiência. Aos 18 anos, ela já havia participado de uma Copa do Mundo Feminina e conquistado a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 com a seleção brasileira.
Ainda elegível para o torneio Sub-19 na Tailândia, Marta foi novamente decisiva. Marcou contra Nigéria e China na fase de grupos e balançou as redes na vitória por 4 a 2 sobre a Rússia nas quartas de final. A campanha do Brasil terminou nas semifinais, com derrota para a China, mas a criatividade e a influência de Marta no ataque lhe renderam a Bola de Ouro como melhor jogadora do torneio.
O avanço de Marta foi meteórico. Entre suas duas participações no Mundial Sub-19, ela fez sua estreia na Copa do Mundo Feminina em 2003, nos Estados Unidos, aos 17 anos, marcando três gols em quatro partidas.
O estrelato mundial e os recordes
Quatro anos depois, na China, Marta se firmou como uma das maiores estrelas do futebol. Na edição de 2007, ela produziu uma das melhores atuações individuais da história da competição, marcando sete gols. Dois deles saíram na memorável vitória por 4 a 0 sobre os Estados Unidos na semifinal, incluindo um golaço após um controle e uma habilidade extraordinários.
Apesar do vice-campeonato, Marta deixou a China com a Chuteira de Ouro e a Bola de Ouro, como artilheira e melhor jogadora do torneio. Essa conquista completou uma progressão notável, apenas três anos depois de ter recebido a mesma honraria no nível juvenil. Em 2011, na Alemanha, ela marcou mais quatro gols, levando o Brasil às quartas de final.
No Canadá, em 2015, Marta voltou ao país onde havia se apresentado ao mundo 13 anos antes. Seu gol de pênalti contra a Coreia do Sul a levou a 15 gols, tornando-a a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina. Ela ampliou a marca para 17 na França, em 2019, e, após se recuperar de lesão, participou da edição de 2023.
Somando seus nove gols no nível juvenil, Marta acumula 17 gols em Copas do Mundo, consolidando seu lugar na história. A Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, pode ser o capítulo final perfeito, com a chance de conquistar, em casa, o único grande título que falta em sua carreira brilhante.
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