Pular para o conteúdo
Michaely Bihina: a goleira que brilha no WafconA jovem goleira camaronense Michaely Bihina tornou-se a heroína da seleção ao defender pênaltis decisivos contra Nigéria e Marrocos, levando as Leões Indomáveis à final do Wafcon e garantindo vaga no Mundial Feminino de 2027. Sua trajetória, de atacante a goleira, inspira o país.

Michaely Bihina: a goleira que brilha no Wafcon

Atualizado 4 min read

Resumo breve

A jovem goleira camaronense Michaely Bihina tornou-se a heroína da seleção ao defender pênaltis decisivos contra Nigéria e Marrocos, levando as Leões Indomáveis à final do Wafcon e garantindo vaga no Mundial Feminino de 2027. Sua trajetória, de atacante a goleira, inspira o país.

Uma atuação histórica transformou Michaely Bihina no nome mais celebrado dos Camarões no Campeonato Africano de Futebol Feminino (Wafcon) de 2026. Após suas defesas espetaculares, que conduziram as Leões Indomáveis à final do torneio pela primeira vez desde 2016, muitos no país da África Central já pedem a construção de uma estátua em sua homenagem.

A goleira de 22 anos é uma das grandes estrelas da competição, tendo sido eleita a melhor jogadora das partidas contra a Nigéria, nas quartas de final, e contra o Marrocos, anfitrião, na semifinal. Suas atuações não apenas garantiram a classificação camaronense, mas também despertaram admiração em todo o continente.

Defesas decisivas contra Marrocos

Na semifinal disputada em Rabat, o jogo seguiu equilibrado e sem muitas chances claras, indo para a prorrogação. A virada emocional aconteceu aos 118 minutos, quando a zagueira Maryam Nyadjou tocou o rosto de Sakina Ouzraoui com o braço, e a árbitra marcou pênalti para as Leões do Atlas. Fatima Tagnaout assumiu a cobrança, mas Bihina mergulhou para a direita e fez a defesa, levando a decisão para os pênaltis.

Na disputa por pênaltis, a goleira do Benfica defendeu as cobranças de Kenza Chapelle, Maryame Atiq e Ouzraoui, garantindo a vitória por 3 a 1. "Quando defendi o primeiro pênalti durante o jogo, pensei comigo mesma: se formos para os pênaltis, posso fazer mais. Tenho que pegar pelo menos três", revelou Bihina à BBC World Service após a partida.

A goleira também destacou sua preparação: "Estudei os pênaltis das jogadoras marroquinas durante toda a competição". Sua atuação foi crucial para a classificação, e ela não escondeu a emoção: "Estou muito feliz e cheia de emoções, porque para a nossa geração é a primeira vez que chegamos à final. Agradecemos a todos que nos apoiam".

Recorde contra a Nigéria

Antes do duelo com o Marrocos, Bihina já havia feito história nas quartas de final contra a Nigéria, atual campeã. Ela fez nove defesas, estabelecendo um recorde no torneio, e ajudou os Camarões a eliminar as nigerianas, garantindo também a vaga na Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, que será realizada no Brasil.

"Foi um grande dia para o futebol camaronês", disse Bihina à Confederação Africana de Futebol (CAF). "Jogar meu primeiro Wafcon e conseguir vencer a Nigéria e nos classificar para a Copa do Mundo é histórico. Estou muito animada e feliz por termos alcançado isso como equipe. Tínhamos um objetivo: mudar a história da nossa seleção contra a Nigéria."

Os Camarões haviam perdido três finais do Wafcon, todas para a Nigéria (2004, 2014 e 2016), mas agora enfrentarão a estreante Malawi na decisão, no domingo, às 19h00 GMT. Bihina tem sido o pilar defensivo da equipe, com três jogos sem sofrer gols em cinco partidas.

De atacante a goleira: a trajetória de Bihina

Nascida em Ekounou, no distrito de Nkoldongo, em Yaoundé, capital dos Camarões, em 28 de dezembro de 2003, Bihina começou a jogar futebol como atacante. No entanto, seu treinador percebeu seu potencial para outra posição. "Meu treinador me disse que eu era alta demais para ser atacante e que eu me sairia melhor como goleira", contou Bihina à CAF. "Fiz isso e seis meses depois fui convocada para a seleção nacional."

Aos 15 anos, ela se mudou para Portugal, onde ingressou no Racing Power, ajudando o clube a conquistar o título da segunda divisão na temporada 2022-23. Na temporada seguinte, foi eleita a melhor goleira da primeira divisão, com o time terminando em terceiro lugar.

Em fevereiro deste ano, Bihina assinou com o Benfica por três anos, uma transferência que descreveu como "um sonho realizado". Com o clube de Lisboa, ela já conquistou a dobradinha (campeonato e copa). Agora, ela inspira seu país a alcançar o Mundial e a final do Wafcon.

"Para mim, pessoalmente, tem sido uma longa jornada de trabalho duro e disciplina", afirmou. "Continuo trabalhando com humildade e tentando melhorar a cada dia."

Na final, Bihina enfrentará as irmãs Chawinga, de Malawi: Tabitha e Temwa. Temwa é a artilheira do torneio, com cinco gols e duas assistências, enquanto Tabitha marcou quatro gols. "Será um bom jogo", disse Bihina à BBC. "Vamos dar o nosso melhor, como em todos os jogos. Sabemos que vamos enfrentar um desafio."

Independentemente do resultado, Bihina já garantiu seu nome na história do Wafcon. Conquistar o título seria a cereja do bolo para coroar as atuações espetaculares que a consagraram como uma estrela do futebol feminino no continente.

Tudo Copa Do Mundo Feminina

Pesquisar