Hurtado vê futuro promissor para o Equador

Resumo breve
Iván Hurtado, o jogador com mais partidas pela seleção equatoriana, analisa as chances do país na Copa do Mundo e relembra confrontos marcantes contra Alemanha e Inglaterra em 2006. Com uma defesa sólida e jovens talentos, ele acredita que a La Tri pode sonhar alto.
O ex-zagueiro Iván Hurtado, recordista de partidas pela seleção equatoriana, acredita que o Equador tem motivos de sobra para sonhar na Copa do Mundo. Em entrevista à FIFA, o jogador de 51 anos revisitou momentos históricos, como a estreia do país no torneio em 2002 e a campanha de 2006, quando a La Tri avançou às oitavas de final pela primeira vez. Agora, com uma nova geração talentosa, Hurtado vê potencial para repetir — ou superar — esse feito.
Uma trajetória de superação
O Equador disputa sua quinta Copa do Mundo, tendo estreado no torneio em 2002, no Japão e na Coreia do Sul. "Nem todos os jogadores têm essas experiências", disse Hurtado, que acumulou 168 partidas pela seleção, o segundo maior número entre sul-americanos, atrás apenas de Lionel Messi, e figura entre os 20 jogadores com mais jogos pela seleção no mundo. "A Copa do Mundo paralisa o planeta e é o objetivo máximo de qualquer futebolista. Todos sonhamos em jogar o torneio, e realizamos esse sonho."
A estreia do Equador no torneio terminou com derrota por 2 a 1 para a Itália, em 3 de junho de 2002, com dois gols de Christian Vieri. Depois, nova derrota por 2 a 1 para o México, antes da primeira vitória equatoriana em Copas: 1 a 0 sobre a Croácia, com gol de Edison Méndez. "Vencemos a Croácia, que havia impressionado na França em 1998", lembrou o ex-capitão. "Ficamos muito desapontados por não passar da fase de grupos, mas depois percebemos que nem todo time consegue vencer na estreia em Copas."
2006: a campanha histórica
Na Copa de 2006, na Alemanha, o Equador foi ainda mais longe. Na estreia, vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, com gols de Carlos Tenorio e Agustín Delgado. Depois, goleada por 3 a 0 sobre a Costa Rica, com Tenorio, Delgado e Iván Kaviedes. Na última rodada da fase de grupos, já classificado, o técnico Hernán Darío Gómez poupou titulares, e a Alemanha venceu por 3 a 0, com dois gols de Miroslav Klose e um de Lukas Podolski. "Klose era um atacante de altíssima qualidade e mortal na área. Não se podia dar espaço a ele, mas se estivéssemos com força máxima, acho que ele não teria tido tanta liberdade e talvez não tivesse feito os dois gols. Poderíamos ter perdido de qualquer forma, mas o jogo teria sido diferente", analisou Hurtado.
Nas oitavas de final, o Equador enfrentou a Inglaterra e perdeu por 1 a 0, com um gol de falta de David Beckham. "Relembrar esse momento me dá nostalgia, porque foi difícil aceitar aquela derrota", refletiu Hurtado. "Executamos nosso plano de jogo quase perfeitamente. A Inglaterra nunca nos dominou e nunca ameaçou nossa área, mas fomos eliminados simplesmente porque eles tinham um jogador da qualidade de Beckham cobrando faltas. Ele era o melhor batedor de faltas do mundo." A Inglaterra contava com Wayne Rooney, Frank Lampard, Steven Gerrard, Rio Ferdinand, John Terry e Ashley Cole. "Eles eram um time brilhante, mas provamos que também éramos bons e que podíamos competir de igual para igual." Até hoje, essa é a melhor campanha do Equador em Copas.
O presente e o futuro
Na Copa de 2022, no Catar, o Equador estreou com derrota por 1 a 0 para a Costa do Marfim. Ainda restam jogos contra Curaçao e Alemanha. Hurtado mantém o otimismo: "Sem querer soar excessivamente otimista, temos profundidade em todas as posições e o elenco está repleto de talento. Os jogadores têm caráter e personalidade; essas partidas não os intimidarão."
Ele destacou a solidez defensiva: "Temos dois dos melhores zagueiros do mundo em Piero Hincapié e Willian Pacho, que conquistaram títulos importantes [na Inglaterra e na França, com Arsenal e Paris Saint-Germain] e disputaram a final da Liga dos Campeões. A defesa é impermeável e sofreu apenas cinco gols nas eliminatórias." Além deles, citou Moisés Caicedo em grande forma, o goleiro Hernán Galíndez, Pervis Estupiñán, Angelo Preciado, Joel Ordóñez, Gonzalo Plata, Pedro Vite e Enner Valencia, "nosso ídolo, capitão, lenda e maior artilheiro de todos os tempos". "E há também aqueles que buscam um lugar no time e que vão contribuir muito", completou.
O ex-jogador, considerado um gigante do futebol equatoriano, mantém a esperança apesar do início vacilante: "Estamos animados porque eles nos inspiraram a sonhar alto e todo o país está apoiando, torcendo e cheio de fé. Esperamos que nos deem motivos para comemorar. Eles têm a chance de fazer história."
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