Por que tão poucas mulheres chegam ao topo no comando técnico?

Resumo breve
Hannah Dingley tornou-se a primeira técnica de uma equipe profissional masculina na Inglaterra em 2023, mas alerta que ainda é preciso avançar para que mais mulheres alcancem cargos de liderança no futebol. Apesar do marco histórico, barreiras estruturais e culturais persistem.
Em 2023, Hannah Dingley fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o comando técnico de uma equipe profissional masculina na Inglaterra, como treinadora interina do Forest Green Rovers. No entanto, ela própria reconhece que o feito, embora significativo, não representa uma mudança sistêmica. Em declarações recentes, Dingley destacou que ainda há um longo caminho a percorrer para que mais mulheres possam avançar em cargos de comando no futebol, tanto no masculino quanto no feminino.
O cenário atual: avanços e obstáculos
A presença feminina em bancadas técnicas de alto nível continua sendo uma exceção. Dados da Federação Internacional de Futebol (FIFA) indicam que, na Copa do Mundo Feminina de 2023, apenas 12 das 32 seleções eram comandadas por mulheres. No futebol masculino, o número é ainda mais reduzido: além de Dingley, poucas mulheres ocuparam ou ocupam cargos de treinadora principal em clubes profissionais ao redor do mundo.
Especialistas apontam que as barreiras vão desde a falta de oportunidades iniciais até preconceitos enraizados. Muitas ex-jogadoras que desejam seguir carreira como treinadoras encontram dificuldades para obter as mesmas licenças e redes de contato que os homens. Além disso, a cultura do vestiário e a resistência de dirigentes e torcedores ainda são entraves significativos.
O caso de Hannah Dingley
Dingley, que antes trabalhava na academia do Forest Green Rovers, assumiu o time principal após a saída do técnico anterior. Sua nomeação foi amplamente celebrada, mas ela mesma pondera que o episódio não deve ser visto como uma solução definitiva. "Precisamos de mais do que gestos simbólicos", afirmou. "É necessário investir em programas de desenvolvimento, mentoria e, acima de tudo, criar um ambiente onde as mulheres sejam avaliadas por sua competência, não por seu gênero."
Iniciativas e caminhos para a mudança
Organizações como a UEFA e a FIFA têm implementado programas para aumentar a participação feminina no comando técnico. A UEFA, por exemplo, criou o programa de mentoria "Women in Football" e oferece bolsas para que ex-jogadoras obtenham licenças de treinador de elite. No entanto, críticos argumentam que essas iniciativas ainda são tímidas diante da magnitude do problema.
No Brasil, a situação não é diferente. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem promovido cursos específicos para mulheres, mas o número de técnicas em clubes da Série A do Campeonato Brasileiro feminino ainda é baixo, e no masculino a presença é praticamente nula. A técnica Pia Sundhage, que comandou a seleção brasileira feminina até 2023, é uma das poucas vozes internacionais a defender políticas mais agressivas de inclusão.
O futuro: representatividade e meritocracia
Para Dingley, a chave está em garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de aprendizado e experiência que os homens. "Quando uma mulher assume um time, ela não está apenas representando a si mesma, mas abrindo portas para outras", disse. "Mas isso só será possível se houver um compromisso real das instituições em quebrar o ciclo de exclusão."
Enquanto isso, o futebol segue assistindo a avanços pontuais, mas ainda distante de uma igualdade efetiva. A história de Dingley é um lembrete de que o talento não tem gênero, mas o acesso ao topo ainda é um privilégio masculino.
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