Paniagua: 'Momento crucial para o futebol colombiano'

Resumo breve
Carlos Paniagua, técnico da Colômbia no Mundial Feminino Sub-20, fala sobre o desenvolvimento de jogadoras, a trajetória de Linda Caicedo e as expectativas para a Polônia 2026, onde enfrentará a Coreia do Norte, campeã vigente.
Carlos Paniagua, treinador da seleção feminina sub-20 da Colômbia, concedeu entrevista exclusiva à FIFA, abordando o crescimento do futebol feminino no país, o talento de Linda Caicedo e as expectativas para o Mundial Feminino Sub-20 de 2026, que será disputado na Polônia, de 5 a 27 de setembro.
Paniagua, de 63 anos, já comandou a Colômbia em edições anteriores do torneio. Em 2022, na Costa Rica, levou a equipe às quartas de final. No mesmo ano, conduziu a seleção sub-17 a uma inédita final na Índia, com Linda Caicedo como uma das principais jogadoras. Agora, após a Colômbia não conseguir vaga no Mundial Sub-17 de Marrocos 2026, Paniagua volta ao cenário global com a equipe sub-20.
Desenvolvimento de jogadoras e orgulho nacional
Para Paniagua, o trabalho nas categorias de base vai além dos resultados. "Quando você assume um papel como este, sua responsabilidade não é apenas alcançar resultados, mas também ajudá-las a crescer, tanto como jogadoras quanto como indivíduos", afirmou. Ele destacou que cerca de 15 jogadoras da seleção principal passaram pelas equipes sub-17 e sub-20, o que o enche de orgulho e o motiva a continuar desenvolvendo futuras gerações.
O treinador ressaltou que a Colômbia vive um momento crucial, com muitas atletas atuando em clubes no exterior. "Isso eleva o nível da seleção nacional e também fortalece nossa liga doméstica, mostrando que ela pode produzir jogadoras capazes de ter sucesso nas melhores ligas do mundo", disse.
Expectativas para a Polônia 2026
A Colômbia está no Grupo E, ao lado de Costa Rica, Portugal e Coreia do Norte, atual campeã, que venceu o Japão na final de 2024, em Bogotá. Paniagua elogiou a equipe: "São fisicamente fortes, com qualidade técnica em evolução e indivíduos excepcionais que sabem usar seu talento em benefício do time. Esse pensamento coletivo é essencial para competir no mais alto nível". Ele também mencionou a campanha na Copa América Feminina, quando a Colômbia chegou perto do título.
Linda Caicedo: um talento raro
Paniagua relembrou o primeiro contato com Linda Caicedo, ainda aos 14 anos, quando a enfrentou em uma final do campeonato profissional colombiano. "Você já podia ver o quanto ela se destacava das demais, apesar de ter apenas 14 anos. Isso é extremamente raro e faz você perceber imediatamente que está lidando com um talento especial", contou.
O treinador revelou o momento em que teve certeza de que Caicedo poderia se tornar a melhor do mundo: na estreia da Copa do Mundo Sub-20 de 2022, contra a Alemanha, vencida pela Colômbia por 1 a 0. "A forma como ela driblava em espaços apertados, sua velocidade em áreas abertas e sua habilidade técnica deixaram claro que ela estava um nível acima. Foi aí que soube que ela poderia um dia se tornar a melhor jogadora do mundo", afirmou.
Além do talento, Paniagua destacou o caráter de Caicedo: "Linda é uma pessoa excepcional. Trata todos com respeito e sempre foi profissional e disciplinada desde muito jovem. Ela era frequentemente a primeira a chegar e constantemente incentivava as companheiras a manter altos padrões dentro e fora de campo". Ele acrescentou que muitas jogadoras desenvolveram hábitos profissionais melhores graças ao exemplo dela.
O impacto do Mundial em casa e a ausência no Sub-17
Paniagua também comentou sobre a experiência de disputar o Mundial Sub-20 em casa, em 2024, quando a Colômbia chegou às quartas de final e foi eliminada nos pênaltis pela Holanda. "Foi um torneio especial para Linda, que estava em ótima forma, e tivemos uma equipe muito competitiva. Ela mostrou o quanto evoluiu e consolidou seu lugar como a melhor jovem jogadora do mundo", disse.
Sobre a ausência no Mundial Sub-17 de 2026, o treinador lamentou: "Até então, tínhamos nos classificado para todos os Mundiais desde que assumi. Chegamos a seis torneios pelas eliminatórias sul-americanas – esta foi a primeira vez que ficamos de fora. Foi um novo formato que apresentou desafios que não tínhamos enfrentado antes. Isso nos motivou a continuar trabalhando com a mesma paixão e comprometimento, ajustando os pontos que nos ajudarão a competir novamente no próximo Sul-Americano".
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