Por que as bandeiras da Arábia Saudita e do Iraque não são colocadas no chão na Copa do Mundo

Resumo breve
Durante a Copa do Mundo, as bandeiras da Arábia Saudita e do Iraque são tratadas com cuidado especial: não são colocadas no chão nas cerimônias pré-jogo.
Durante as cerimônias que antecedem as partidas da Copa do Mundo, é comum ver bandeiras gigantes de cada nação estendidas no gramado. No entanto, as bandeiras da Arábia Saudita e do Iraque nunca são colocadas no chão. Em vez disso, são carregadas acima do solo por voluntários. A razão para esse tratamento diferenciado está nas inscrições religiosas que ambas ostentam.
Inscrições sagradas nas bandeiras
A bandeira da Arábia Saudita exibe a Shahada, a declaração de fé islâmica: "Não há deus senão Alá, e Maomé é seu mensageiro", escrita acima de uma espada. Já a bandeira do Iraque traz o Takbir, a frase árabe "Alá é o Maior" (Allahu Akbar), que os muçulmanos usam nas orações diárias, em momentos de celebração e no chamado para a oração. Embora a inscrição iraquiana seja mais curta, o princípio é o mesmo: palavras sagradas do Islã estão permanentemente incorporadas ao desenho nacional.
Respeito religioso acima do protocolo esportivo
Por conterem palavras usadas na oração e adoração islâmicas, tratar essas bandeiras como tecido comum — colocá-las no chão, sentar sobre elas, usá-las como toalha ou amontoá-las — é considerado desrespeitoso na tradição islâmica. Não se trata de uma objeção a queimar ou pisar na bandeira como insulto nacional, mas especificamente de proteger a santidade das palavras em si. Deixar um texto religioso tocar o chão ou sujar-se é visto como uma ofensa à fé, não apenas ao país.
No caso da Arábia Saudita, as regras são ainda mais rigorosas. A bandeira saudita nunca deve tocar o chão ou a água, e não é hasteada a meio mastro, pois isso seria interpretado como rebaixar a própria Shahada. Essa prática reflete a importância central do Islã na identidade do reino.
Contexto histórico e implicações
A bandeira saudita, adotada em 1973, tem suas raízes no movimento wahabista do século XVIII. Já a bandeira iraquiana passou por várias modificações desde a independência em 1932; a versão atual, com o Takbir em verde, foi introduzida em 2008, após a queda de Saddam Hussein. A presença de inscrições religiosas em bandeiras nacionais não é exclusiva desses dois países: a bandeira do Irã também contém a frase "Alá é o Maior" repetida 22 vezes, mas o Irã não se classificou para a Copa do Mundo de 2022.
Para torcedores, jogadores e emissoras que cobrem ambas as nações, o cuidado com as bandeiras serve como lembrete de que esses símbolos carregam um duplo significado — nacional e religioso — e devem ser tratados com a devida reverência. A FIFA, organizadora do torneio, adapta seu protocolo cerimonial para respeitar essas sensibilidades, garantindo que as bandeiras sejam manuseadas de forma adequada.
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