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Moreira e as altas expectativas para os estreantes Cabo VerdeO lateral Steven Moreira fala à FIFA sobre o orgulho e a emoção de representar Cabo Verde na sua estreia histórica no Mundial. A família, que inicialmente hesitou, agora celebra a conquista que coloca o arquipélago no mapa do futebol mundial./images/pt/2026/06/moreira-e-as-altas-expectativas-para-os-estreantes-cabo-verde-04fa4042-800w.webpMoreira e as altas expectativas para os estreantes Cabo Verde

Moreira e as altas expectativas para os estreantes Cabo Verde

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Moreira e as altas expectativas para os estreantes Cabo Verde

Resumo breve

O lateral Steven Moreira fala à FIFA sobre o orgulho e a emoção de representar Cabo Verde na sua estreia histórica no Mundial. A família, que inicialmente hesitou, agora celebra a conquista que coloca o arquipélago no mapa do futebol mundial.

Quando o hino nacional de Cabo Verde ecoar em Atlanta antes do jogo de abertura contra a Espanha, a família de Steven Moreira estará radiante de orgulho. O lateral-direito, de 31 anos, erguerá o olhar para as bancadas e verá rostos familiares — as pessoas que o acompanharam na jornada até a primeira participação do arquipélago africano numa Copa do Mundo da FIFA™.

Nascido em França e ex-internacional francês nas categorias de base, Moreira admite que a decisão de representar Cabo Verde em 2023 gerou preocupação em casa, especialmente por parte da sua mãe, natural do país. "Quando era muito novo, visitei Cabo Verde e, naquela altura, a minha mãe achava que o país não era muito seguro", revelou à FIFA. "Então, quando lhe disse que ia aceitar a convocação, ela ficou um pouco apreensiva. Pensou que algo de mal pudesse acontecer — isso são as mães, não é?"

No entanto, não demorou muito para que essa preocupação desse lugar ao orgulho. "Quando recebi a primeira convocação, a família inteira começou a ligar para ela. Depois, ela disse: 'Já te disse que devias ter ido'", brincou o defesa.

Moreira fez a sua estreia internacional sénior num amigável contra a Argélia em outubro de 2023. Muito antes disso, porém, dirigentes, jogadores e treinadores passaram anos a tentar convencê-lo a representar Cabo Verde. "O interesse começou muito cedo, quando eu tinha cerca de 18 ou 19 anos", recordou. "Continuavam a enviar-me mensagens, a ligar-me e a falar com alguns dos meus familiares e amigos."

Na altura, o lateral ainda fazia parte das seleções jovens francesas e sentiu que não era o momento certo para mudar de seleção. Anos mais tarde, depois de assinar pelo seu clube atual, o Columbus Crew, na Major League Soccer, algo mudou. "Senti que o timing era o certo quando me mudei para Columbus", disse. "Eles continuavam lá, a enviar mensagens, a ligar, a perguntar como estava e a garantir que tudo corria bem. Até os meus futuros companheiros de seleção me contactavam. Então, um dia, decidi aceitar."

A ligação cresceu rapidamente. Pouco depois de tomar essa decisão, Moreira representou Cabo Verde na Taça das Nações Africanas da CAF e começou a perceber o quanto a seleção significa para o povo do país. "O meu pai, o meu irmão, os meus primos... todos estavam tão orgulhosos", explicou Moreira. "Agora, com o Mundial, é maior do que nunca. Acho que é o maior momento da minha carreira."

A histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial 2026™ elevou o país a um novo patamar, tanto em África como além-fronteiras. Para Moreira, porém, o impacto vai muito além do futebol. "Estamos a colocar Cabo Verde no mapa", afirmou. "As pessoas poderão visitar, conhecer as ilhas e descobrir mais sobre elas. Isso também muda tudo."

Houve momentos tensos ao longo do caminho, nomeadamente num emocionante empate 3-3 com a Líbia, quando os Tubarões Azuis pensaram ter marcado o quarto golo, apenas para o verem anulado por fora de jogo, impedindo a conclusão de uma recuperação de 3-1. "Em momentos como esse, pensas: 'Este é o sonho que queremos tornar realidade.' E depois parece que esse sonho te foi tirado", refletiu.

A qualificação foi garantida no jogo seguinte contra Essuatíni, uma vitória por 3-0 que desencadeou celebrações que a nação jamais esquecerá. "Após o apito final, houve uma invasão de campo — todos saltavam, dançavam e festejavam", recordou. "Na altura, acho que não apreciámos totalmente a dimensão do que tínhamos alcançado."

Cabo Verde prepara-se agora para a estreia no Mundial num grupo que inclui Espanha, Arábia Saudita e Uruguai. "Queremos passar a fase de grupos", insistiu Moreira. "Não vamos ao Mundial só para fazer número; vamos para competir."

O primeiro teste será contra os atuais campeões europeus, a Espanha, em Atlanta. Moreira poderá defrontar Nico Williams e Lamine Yamal, dois dos talentos mais brilhantes de Espanha, que têm corrido para recuperar a forma física a tempo do jogo de segunda-feira. O lateral garante, no entanto, que não tenciona alterar a sua forma de jogar. "Quando jogava em França e defrontava o PSG, era a mesma coisa. Mbappé, Neymar... não é novidade para mim", afirmou. "Tenho de confiar em mim e jogar com confiança."

Essa confiança é também alimentada pelo apoio que Cabo Verde tem recebido de diferentes partes do mundo lusófono, particularmente do Brasil. "Há uma ligação cultural. Falamos a mesma língua e gostamos de futebol ofensivo — ter a bola e levar alegria aos adeptos, que é algo especial. Um amigo meu que jogou no Brasil já me disse que vamos ter muito apoio do povo brasileiro."

Os Tubarões Azuis estão prontos para navegar em águas desconhecidas enquanto mergulham pela primeira vez no grande palco mundial, com os olhos do mundo postos neles. Moreira sabe exatamente para onde olhar antes do pontapé de saída: para a sua mãe, que outrora se preocupou com a sua decisão, mas que agora estará a ver, cheia de orgulho.

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