Orgulho da comunidade burundiana: o impacto de Irankunda na Copa é celebrado em Adelaide

Resumo breve
A comunidade burundiana do sul da Austrália celebra com imenso orgulho a presença de Nestory Irankunda na seleção australiana na Copa do Mundo.
O gol de Nestory Irankunda na estreia da Austrália na Copa do Mundo FIFA 2026™ não foi apenas um momento de glória para o jogador de 20 anos, mas também um marco de orgulho para a comunidade burundiana de Adelaide, no sul da Austrália. Para as cerca de mil famílias que acompanharam sua trajetória desde a infância, aquele chute certeiro na vitória sobre a Turquia em 14 de junho, em Vancouver, teve um significado ainda mais profundo.
Uma comunidade em festa
Joel Hakizimana, que conhece a família de Irankunda há décadas, descreve a explosão de alegria quando a bola entrou no gol. “Corri para todos os lados – pulávamos do sofá, corríamos pela casa, gritando”, conta ele à FIFA. Desde então, Hakizimana e seus amigos do Burundi FC, time que representa a comunidade, têm recebido uma enxurrada de pedidos de entrevista de veículos como a emissora pública ABC e o jornal Southern Cross, da arquidiocese católica de Adelaide, devido ao seu papel como líder comunitário e coordenador de esportes e eventos.
Hakizimana tem muito a contar sobre Irankunda. Conheceu o pai do jogador, Gideon, em um campo de refugiados na Tanzânia, para onde fugiram durante a guerra civil do Burundi e onde Nestory nasceu. “O pai dele era um dos melhores jogadores do campo de refugiados. Era atacante também”, recorda. Juntos, jogaram futebol ao chegar ao sul da Austrália em meados dos anos 2000, pelo Burundi Eagles Soccer Club. Nos anos seguintes, o jovem Nestory acompanhava os treinos enquanto subia de nível no Northern Wolves, um clube amador local, antes de se transferir para o Adelaide Croatia e, posteriormente, para o Adelaide United.
Talento natural desde criança
Hakizimana lembra do Irankunda ainda estudante, aparecendo no Creaser Park, nos subúrbios ao norte de Adelaide, onde os burundianos treinavam antes de participar da Copa Africana de Nações do Sul da Austrália – um torneio para as diversas comunidades africanas da região. “Quando ele era juvenil, sempre vinha treinar conosco”, diz Hakizimana, hoje presidente do Burundi FC. “Era ainda uma criança, mas nunca teve medo de treinar ou jogar com os mais velhos. Sempre foi confiante, forte, rápido.”
“Ele é muito natural. Quando se trata de velocidade, força, de pensar como vai dominar a bola e levá-la, acho que ele já nasceu assim. É um jogador nato.” Além disso, Hakizimana viu uma coragem em sua atitude – uma determinação em vencer a disputa pela bola contra garotos maiores. “Ele melhorava dia após dia e víamos um grande potencial nele. O que nunca esperávamos é onde ele está hoje. Então, em nome da comunidade burundiana do sul da Austrália, agradecemos à federação australiana de futebol [Football Australia] por confiar e dar oportunidade aos nossos jovens.”
Inspiração para as novas gerações
Quando menino, Irankunda viu dois membros da comunidade chegarem ao futebol profissional. Elvis Kamsboba jogou pelo Melbourne Victory e Sydney FC na A-League antes de passagens pela Indonésia e Malásia. Seu irmão, Pacifique Niyongabire, foi do Adelaide United ao Perth Glory e depois para clubes na América do Norte. Irankunda queria expandir seus horizontes e jogar no exterior. Por isso, em 2024, transferiu-se do Adelaide United para o gigante europeu Bayern de Munique, após 55 jogos na liga e 16 gols pelo clube australiano. Depois de meia temporada no time B do Bayern, foi emprestado ao Grasshoppers, da Suíça, e na temporada passada atuou pelo Watford, na segunda divisão inglesa.
Nas visitas à Austrália, ele ainda se reconecta com sua antiga comunidade. “Quando ele volta aqui, toda criança quer vê-lo”, explica Hakizimana. “Na maioria das vezes, ele vem quando estamos nos preparando para esta [Copa Africana de Nações] e sempre treina com os rapazes.” Irankunda já foi visto participando de partidas amistosas entre as “lendas” da geração de seu pai e os jogadores mais jovens com quem cresceu. Depois, sentam-se para uma refeição de ubugari – um mingau de fubá típico do Burundi – com peixe ou carne e feijão. Ou, às vezes, um churrasco mais australiano. “Sentamos, compartilhamos comida e bebidas, e perguntamos como ele está”, acrescenta Hakizimana.
Neste momento, toda a Austrália sabe a resposta para essa pergunta. Os Socceroos avançaram para as oitavas de final da Copa do Mundo, e Irankunda e seus companheiros enfrentam o Egito em Dallas na sexta-feira. Hakizimana espera que a jornada continue e não hesita em enviar uma mensagem ao jovem astro: “Agora que você está falando comigo, vou mandar a mensagem para ele: ‘Vai, Nestory, toda a comunidade está com você.’”
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