O improvável herói mexicano que a Inglaterra mais teme

Resumo breve
Julian Quiñones, colombiano naturalizado mexicano, é a grande ameaça do México contra a Inglaterra nas oitavas de final da Copa do Mundo. Com três gols no torneio e uma trajetória incomum, ele pode ser decisivo no jogo desta segunda-feira.
O caminho de Julian Quiñones para se tornar um herói mexicano foi nada convencional — especialmente por ele ser colombiano de nascimento. Agora, ele espera se consagrar como lenda ao enfrentar a Inglaterra na madrugada desta segunda-feira, em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
O confronto, que será disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, está marcado para as 01h00 (horário de Brasília) e terá transmissão ao vivo pela BBC One. Os torcedores ingleses certamente conhecem bem o camisa 9 mexicano Raúl Jiménez, atacante do Wolverhampton que também jogou no Fulham. Mas é Quiñones, artilheiro da última edição da Saudi Pro League, quem tem chamado a atenção atuando pela ponta esquerda — e pode se tornar um grande problema para a contestada lateral direita da Inglaterra, especialmente na altitude mexicana.
O jogador de 29 anos já marcou três vezes na Copa do Mundo: o gol de abertura do torneio contra a África do Sul, outro contra a República Tcheca e o primeiro gol na vitória sobre o Equador, na fase de 32 avos de final. Mas quem é ele, afinal?
Colombiano de nascimento, mexicano de coração
Quiñones nasceu em Magüí Payán, no sul da Colômbia, perto da fronteira com o Equador, e cresceu em meio à pobreza. "É uma vila muito distante e esquecida", disse ele em entrevista recente. "Saber que posso superar tudo, mesmo com todas as dificuldades e a falta de apoio, me motiva ainda mais a continuar lutando, dando o meu melhor em cada bola que recebo e em cada partida. Também faço isso pela minha família."
Aos 17 anos, deixou seu time amador Fútbol Paz para se juntar ao Tigres, do México. "Eu era jovem e hesitei em pensar em deixar meu país para buscar novos objetivos e caminhos", recordou. Com o tempo, passou a considerar o México como "meu país" e hoje tem esposa e filhos mexicanos.
Quiñones passou oito anos no futebol mexicano, defendendo Tigres, Atlas e Club América, além de três empréstimos. Tendo representado a Colômbia nas categorias de base em 2017 e 2018, ele não recebeu nenhum contato de seu país natal enquanto balançava as redes mais de 70 vezes na primeira divisão mexicana. Quando a convocação colombiana finalmente veio, em 2023, ele já estava elegível para jogar pelo México por naturalização — e optou por integrar a seleção mexicana.
"Encontrei um país muito generoso", afirmou. "As pessoas te acolhem, ajudam você a se destacar, a crescer pessoalmente, e eu amei isso. Então, aos poucos, comecei a me estabelecer, me senti bem-vindo. Sempre serei muito grato por esses momentos. O México me fez uma grande pessoa. Não tinha grandes referências da Colômbia, porque eu não era muito sábio naquela época, mas o México me recebeu de braços abertos, sabendo que todos temos momentos bons e ruins na vida. Aprendi muito com isso."
Ele conquistou seis títulos da liga mexicana, dois com cada um de seus clubes permanentes — embora a liga mexicana tenha dois campeões por ano.
Superando Ronaldo na Arábia Saudita
Menos de um ano depois de se tornar internacional mexicano, Quiñones deixou o país em uma negociação de cerca de £12 milhões para se juntar ao Al-Qadsiah, que havia acabado de ser promovido à Saudi Pro League. Desde então, marcou 62 gols em 68 jogos em todas as competições — e, na última temporada, conquistou a artilharia do campeonato. Seus 33 gols o colocaram um à frente do inglês Ivan Toney e quatro acima do lendário português Cristiano Ronaldo, mesmo com o time de Brendan Rodgers terminando apenas em quarto lugar na liga.
Essa forma artilheira se refletiu na Copa do Mundo.
Três gols, uma assistência, dois prêmios de melhor em campo
Com três gols e uma assistência em quatro jogos da Copa do Mundo de 2026, nenhum jogador mexicano havia participado de mais gols em uma única edição do maior torneio do mundo desde que esses dados começaram a ser registrados, em 1966. Luis Hernández também participou de quatro gols (todos marcados por ele) em 1998, o recorde anterior.
Quiñones marcou o primeiro gol da Copa do Mundo, aos nove minutos de jogo, ao encaixar a bola entre as pernas do goleiro sul-africano Ronwen Williams, na vitória por 2 a 0. Ele ainda acertou a trave mais tarde. Na goleada de 3 a 0 sobre a República Tcheca, ele aproveitou um rebote próximo à área para marcar o segundo gol. E, contra o Equador, na fase anterior, abriu o placar ao correr em direção a um lançamento longo pela esquerda e finalizar com precisão, na vitória por 2 a 0. Foi eleito o melhor em campo contra a África do Sul e contra o Equador.
"Estou confiante de que vamos longe", disse ele. "Nosso time é completo e competitivo. Sabemos qual é o nosso objetivo e acreditamos que podemos alcançá-lo."
Quem quer que jogue na lateral direita da Inglaterra na segunda-feira pode ter uma tarefa e tanto pela frente.
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