Marcelin recorda seu gol histórico contra o Brasil

Resumo breve
James Marcelin, ex-jogador da seleção haitiana, relembra o gol que marcou contra o Brasil na Copa América de 2016, o único do Haiti diante da Seleção.
Marcar pela seleção é sempre especial. Balançar as redes contra o Brasil é algo com que muitos jogadores só podem sonhar, mas ser o único atleta do seu país a conseguir tal feito eleva a façanha de memorável a monumental.
Foi exatamente assim que James Marcelin escreveu seu nome na história do futebol haitiano. Na Copa América Centenário de 2016, ele marcou o gol de honra do Haiti na derrota por 7 a 1 para os sul-americanos na fase de grupos. O placar contou uma história; o gol de Marcelin contou outra. Ele havia marcado contra a equipe mais vitoriosa da história da Copa do Mundo FIFA™.
O gol que entrou para a história
Marcelin acompanha o atual torneio mundial como torcedor. Pendurou as chuteiras em 2019, após uma passagem pelo clube canadense Edmonton, mas a partida entre Brasil e Haiti terá um significado especial para ele quando as equipes se enfrentarem na Filadélfia, na sexta-feira, 19 de junho, pela segunda rodada do Grupo C.
O confronto mais recente entre as seleções foi justamente a partida em que Marcelin balançou as redes. O jogo já estava decidido quando ele marcou, com o Brasil vencendo por 5 a 0 na fase de grupos da Copa América Centenário, graças a um doblete de Philippe Coutinho e gols de Renato Augusto, Gabriel Barbosa e Lucas Lima.
Então, aos 25 minutos do segundo tempo, o chute de primeira de Duckens Nazon forçou Alisson a fazer uma defesa. Marcelin reagiu mais rápido e aproveitou o rebote para garantir um lugar único no folclore do futebol haitiano. Embora Augusto e Coutinho tenham voltado a marcar, Marcelin já havia conquistado um pequeno pedaço da história como o primeiro haitiano a marcar contra a seleção principal do Brasil.
“Foi incrível”, disse Marcelin em entrevista exclusiva à FIFA. “Jogar a Copa América pela primeira vez já significava muito. Foi fantástico me tornar o primeiro jogador a marcar pelo Haiti na competição e o único haitiano a marcar contra o Brasil. Nunca poderia imaginar isso.”
“Marquei outros gols pelo Haiti, mas este significou muito mais”, admitiu o ex-meio-campista, que destacou a longa afeição de seu país pelo Brasil – assim como pelo grande rival sul-americano, a Argentina. “Muitas pessoas no Haiti torcem pelo Brasil e pela Argentina, então foi importante para os torcedores. Eles adoraram.”
O 'Jogo pela Paz' de 2004
Outro encontro passado que Marcelin relembra é um amistoso em 2004, apelidado de 'Jogo pela Paz'. Apenas dois anos após vencer a Copa do Mundo na Coreia/Japão, o Brasil viajou a Porto Príncipe para participar de um amistoso com uma mensagem. Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos e Adriano estavam entre as estrelas que participaram da iniciativa voltada a reduzir a violência armada. Ronaldinho fez sua mágica com um hat-trick, enquanto Roger Flores marcou dois gols e Nilmar completou a goleada por 6 a 0.
Marcelin tinha 18 anos na época e ainda não havia feito sua estreia internacional, mas testemunhou a empolgação que tomou conta das ruas no lado oeste de Hispaniola. “Assisti ao jogo pela TV quando era criança”, lembrou. “Foi uma ocasião especial. Eles queriam fazer aquela partida para promover a paz no país, já que o Haiti passava por um período turbulento – isso tornou tudo ainda mais significativo. Havia tanques nas ruas e tudo mais. Foi uma loucura!”
O desafio do Haiti na Copa do Mundo
De volta ao cenário mundial pela primeira vez em 52 anos, o Haiti enfrenta uma tarefa difícil no Grupo C. A equipe começou sua campanha com uma derrota por 1 a 0 para a Escócia, mas certamente se animou com a atuação contra o time de Steve Clarke. A Seleção, por sua vez, também precisa dos três pontos após um empate difícil contra o Marrocos.
As probabilidades podem estar contra eles, mas Marcelin acredita que o Haiti pode deixar sua marca. “Espero que eles orgulhem o país e tenham um bom desempenho”, disse. “É um grupo difícil para o Haiti, mas no futebol tudo pode acontecer.” Marcelin fala por experiência própria: às vezes, um momento é o suficiente.
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