Onde errou o Uruguai de Bielsa?

Resumo breve
O Uruguai de Marcelo Bielsa enfrenta uma possível eliminação precoce na Copa do Mundo, precisando vencer a Espanha para avançar.
Onde errou o Uruguai de Marcelo Bielsa? A seleção celeste precisa de uma vitória contra a campeã europeia Espanha para evitar uma humilhante eliminação precoce na Copa do Mundo. O ex-técnico do Leeds, conhecido por seu estilo intenso, busca aspectos positivos após os empates com Arábia Saudita e Cabo Verde. "Agora temos que jogar contra a Espanha com a necessidade e a obrigação de vencer", disse Bielsa. Ele acrescentou que é "uma oportunidade para a equipe melhorar a impressão que está causando contra um grande adversário". Um discurso otimista para uma situação sombria.
A partida de sexta-feira à noite (sábado, 01:00 BST) foi anunciada antes do torneio como um jogo decisivo do grupo, mas uma derrota deixaria o Uruguai entre as 16 seleções eliminadas antes da fase eliminatória no torneio expandido de 48 equipes. Tipicamente, Bielsa assume a culpa. "Sou responsável por o Uruguai ter apenas dois pontos de seis possíveis", afirmou.
O declínio após a Copa América
Aos 70 anos, Bielsa pode estar se aproximando do fim de uma carreira colorida no mais alto nível. Seu trabalho com o Uruguai dificilmente serve como um anúncio convincente, e a crise de desempenho é clara. No entanto, apesar de todas as dificuldades neste torneio, houve lampejos de um nível superior ao que produziram nos últimos dois anos. Tudo começou tão bem. Após a Copa do Mundo do Catar, Bielsa assumiu uma equipe que precisava de renovação geracional e, como fez com o Chile antes, herdou um grupo bem adaptado ao seu estilo dinâmico e ofensivo.
O Uruguai fez um início impressionante nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo – vencendo fora de casa a Argentina, derrotando o Brasil e, após seis rodadas, marcando quase o dobro de gols que qualquer outra equipe. Depois veio a Copa América de 2024. O Uruguai começou com uma enxurrada de gols – e então bateu em uma parede. As coisas não foram as mesmas desde então. Em novembro, foram goleados por 5 a 1 pelos Estados Unidos e seu antigo protegido Mauricio Pochettino, e quando arrancaram um empate contra a Inglaterra em Wembley em março, mal cruzaram o meio-campo – algo impensável para uma equipe de Bielsa.
Bielsa se tornou previsível?
Parte da resposta pode estar além do controle do treinador. É impressionante quantos jogadores uruguaios não conseguiram evoluir em seus clubes. Federico Valverde ainda não causou impacto no torneio, embora seja uma estrela no Real Madrid. Outros parecem ter estagnado ou regredido – entre eles Rodrigo Bentancur, Manuel Ugarte, Facundo Pellistri e Darwin Núñez. Mesmo assim, espera-se que Bielsa – e ele deixa claro que compartilha essa expectativa – extraia mais dos recursos à sua disposição.
Seu modelo se tornou previsível demais? Seu estilo de pressão alta e sufocante já foi revolucionário, mas agora está firmemente no mainstream. O próprio Bielsa mostrou dúvidas. O Uruguai não jogou amistosos antes da Copa do Mundo, optando por trabalho intensivo no campo de treinamento que produziu um novo sistema – Valverde aberto pela direita e dois atacantes. O sistema falhou, abandonado no intervalo contra a Arábia Saudita, com o retorno ao familiar 4-3-3 trazendo melhora. Após o intervalo, e novamente contra Cabo Verde, o Uruguai pelo menos criou chances – e sem dois momentos de autodestruição já estaria classificado para as oitavas de final.
Relações pessoais e o ambiente do elenco
No entanto, a tática pode não ser a causa raiz. Uma explicação mais convincente reside nas relações pessoais. Um mês juntos durante a Copa América de 2024 parece ter tensionado o vestiário. Luis Suárez disse isso quando se aposentou da seleção, usando uma coletiva de imprensa para criticar o que considerava falta de calor humano de Bielsa, seu tratamento aos jogadores e o ambiente tenso na concentração. Notavelmente, ninguém no elenco se moveu para contradizer o maior artilheiro da história do Uruguai.
Um jogador, o ponta recentemente convocado Agustín Canobbio, teve uma discussão acalorada com Bielsa, dizendo que o ponto de ruptura foi quando o treinador criticou a maneira como ele estava sentado. Após a goleada sofrida para os Estados Unidos, Bielsa falou abertamente sobre suas próprias dificuldades em se relacionar com as pessoas, descrevendo-se como um "perfeccionista tóxico". Isso levanta a possibilidade de que sua conhecida mistura de excentricidade distante seja menos eficaz com jogadores modernos, que muitas vezes buscam uma conexão pessoal mais forte com seu treinador.
O próprio Bielsa refletiu – de forma tipicamente ponderada – que, apesar de todos os avanços da ciência do esporte, o entusiasmo importa mais do que a preparação para fazer uma equipe funcionar como uma unidade. Por alguma razão, nos últimos dois anos, ele não conseguiu incutir essa qualidade suficiente. Ele também, às vezes, pareceu fora de sintonia com o futebol moderno. Criticou as pausas para hidratação do torneio – um clássico exemplo de Bielsa-ismo – dizendo que "interferem na concepção culturalmente construída de interpretar o futebol. Não acrescentam nada..." Também se recusou a participar de uma sessão oficial de fotos da FIFA para a Copa do Mundo. "Não sou modelo", disse, depois que sua foto foi tirada enquanto ele olhava para o chão.
O futuro de Bielsa e a chance de redenção
Bielsa deixará o cargo ao final do torneio. Essa perspectiva pode trazer uma sensação de alívio – e energia renovada ao vestiário? O Uruguai, como uma força ferida, pode ser perigoso. Se treinador e jogadores conseguirem se reconectar como fizeram no início de seu mandato, a Espanha ainda pode ser derrotada e uma das carreiras de treinador mais fascinantes do futebol pode ser estendida um pouco mais.
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