Como Pochettino fez os EUA acreditarem que podem vencer a Copa

Resumo breve
Mauricio Pochettino transformou a seleção dos EUA em candidata ao título da Copa do Mundo, com duas vitórias convincentes na fase de grupos. O técnico argentino incutiu uma mentalidade agressiva e de crença, unindo torcedores e jogadores em torno do lema "Por que não nós?".
Quando Mauricio Pochettino sugeriu, em março, que os Estados Unidos poderiam ser potenciais vencedores da Copa do Mundo deste verão, poucos acreditaram nele. Afinal, embora tenham participado de nove das últimas dez edições do torneio — incluindo esta —, os americanos só passaram das oitavas de final uma vez nesse período, chegando às quartas em 2002. Sua melhor campanha continua sendo a semifinal na primeira Copa do Mundo, em 1930.
Mas esta seleção dos EUA, liderada pelo ex-técnico do Tottenham, não apenas garantiu vaga no mata-mata com duas vitórias em dois jogos, mas também chamou a atenção por um futebol ofensivo e empolgante. Torcedores e não torcedores nos Estados Unidos começam a fazer a mesma pergunta: "Por que não nós?"
A transformação de uma nação
Nos minutos seguintes à vitória dos EUA por 2 a 0 sobre a Austrália, na segunda rodada do Grupo D, em Seattle, na semana passada, Pochettino precisou interromper uma entrevista à beira do campo enquanto os torcedores americanos o saudavam com entusiasmo. Antes do torneio, havia uma sensação de incerteza em relação ao treinador argentino, especialmente porque seu compromisso com a seleção nacional se estendia apenas até o fim desta Copa.
Com a vitória sobre a Austrália, após um 4 a 1 contra o Paraguai, Pochettino parece ter conquistado apoio quase unânime. Ele montou uma equipe que mescla jovens talentos promissores com jogadores experientes das principais ligas europeias — um time que parece capaz de surpreender nas próximas semanas. Pochettino trouxe crença e agressividade, trabalhando duro para eliminar a mentalidade de que os EUA são azarões na Copa.
Nas paredes do escritório improvisado do técnico de 54 anos, no hotel da equipe, estão escritas as palavras "por que não nós?", junto com outras frases como "acredite, trabalhe, compita" e "agora é a nossa hora!". Essa mentalidade é evidente nos jogadores, que atuaram com confiança nos dois primeiros jogos.
"Acho que ele traz aquele espírito sul-americano que estava faltando", disse o atacante americano Tim Weah. "Sempre fomos os bonzinhos, então é legal estar do outro lado e ser um pouco o agressor. É divertido. O técnico Poch é um treinador incrível."
'Ele é o nosso Braveheart' — torcedores unidos em torno de Pochettino
Equipes onde torcedores e jogadores estão alinhados em suas crenças podem ser particularmente perigosas, e ficou claro após a vitória sobre a Austrália o quanto os dois lados estão conectados. O time, liderado por Pochettino, deu uma volta no campo do Seattle Stadium aplaudindo os fãs, que cantaram uma versão de "Take Me Home, Country Roads", de John Denver — música que parece se tornar o hino não oficial das vitórias americanas.
As ruas do centro de Seattle depois da partida ficaram tomadas por milhares de torcedores comemorando, que continuaram a cantar o nome de Pochettino. "Ele é o nosso Braveheart", disse um torcedor. "É o líder que está disposto a nos levar através da luta e da dor até o fim. Ele nos trouxe uma era realmente boa. Não complica as coisas e nos dá um jogo muito direto de assistir."
Outro acrescentou: "Sou torcedor do Tottenham há 16 anos e foi nosso melhor período com ele no comando. No dia em que ele assumiu os EUA, foi um sonho realizado para mim. Olhe para nós agora, ele quer vencer!"
Em Los Angeles, onde os EUA enfrentam a Turquia na última rodada do grupo (sexta-feira, 03:00 BST), os torcedores também estavam entusiasmados com o impacto de Pochettino. "Parece que até pessoas que não são grandes fãs de futebol agora estão apoiando o time, o que é muito legal", disse um torcedor americano torcedor do Arsenal, sem se importar com a antiga lealdade de Pochettino ao rival Tottenham. "Sinto que tudo o que Pochettino fez é bastante positivo. Gosto dele. Acho que ele vai embora depois disso, e isso dói, no entanto."
Outro torcedor americano elogiou a mentalidade vencedora que Pochettino trouxe: "Acho bom ter um técnico como este, que chega sem a política americana. Ele chega e só quer vencer. Por que não podemos vencer? Por que não nós?"
Pochettino vai ficar para construir um legado?
Os torcedores americanos amam Pochettino, e o sentimento, ao que parece, tornou-se recíproco. "A Argentina tem torcedores incríveis, mas acho que estamos igualando a Argentina", disse Pochettino após a vitória sobre a Austrália. Seu contrato expira no final desta Copa e havia grande expectativa de que ele saísse, com ligações a um retorno ao futebol de clubes na Europa.
Mas talvez o início dos EUA nesta Copa, junto com o apoio incrível a Pochettino, tenha mudado as coisas. "Agora estamos focados na Copa do Mundo. Depois, se quisermos ficar, temos meses para conversar, ou dias ou semanas. Porque faltam quatro anos para a próxima Copa", disse ele em uma entrevista coletiva com jornalistas no início desta semana. Ele acrescentou: "Para mim, esse é o legado mais importante, a conexão entre a seleção nacional e os torcedores. Claro, queremos vencer. Mas esse é o legado de que precisamos. Por que não fazer parte disso?"
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