Ancelotti e a missão de encerrar o jejum de 24 anos do Brasil na Copa
Resumo breve
Carlo Ancelotti busca transformar o talento individual do Brasil em um time capaz de vencer a Copa do Mundo após 24 anos. Com Neymar de volta e Vini Jr em destaque, a Seleção enfrenta a Escócia em Miami.
A espera pela chegada de Carlo Ancelotti à coletiva de imprensa em Miami foi longa. Marcada para as 19h15, horário local, foi adiada para 20h30 e, finalmente, pouco depois das 21h, o técnico italiano adentrou a sala para falar com centenas de jornalistas ansiosos por ouvir suas impressões sobre o confronto do Brasil contra a Escócia, na quarta-feira, pela Copa do Mundo.
No entanto, as perguntas sobre a Escócia foram escassas. A imprensa brasileira queria saber sobre Neymar, o maior artilheiro da história do país, que vestirá a camisa amarela pela primeira vez em quase três anos. Queriam explorar a mente de Ancelotti sobre Vinicius Júnior, a estrela do Real Madrid que parece ser a maior esperança de reproduzir os lampejos de genialidade que Lionel Messi e Kylian Mbappé têm apresentado no torneio. Acima de tudo, buscavam insights sobre o projeto de Ancelotti para transformar esse grupo de talentos individuais em uma equipe capaz de encerrar o jejum de 24 anos do Brasil sem um título mundial.
Coincidentemente, a última vez que o Brasil enfrentou um período tão longo de seca foi encerrado justamente nos Estados Unidos, quando Romário, Bebeto e companhia lideraram o escrete canarinho à vitória na Copa de 1994. Agora, a esperança renasce com Ancelotti no comando.
O retorno de Neymar
Normalmente, ser o maior goleador da história de uma seleção nacional — com 79 gols — garante adoração eterna dos torcedores. No entanto, Neymar não é unanimidade em sua terra natal. Sua convocação para a Copa, em detrimento de João Pedro, do Chelsea, gerou enorme debate no Brasil. Ele não atua pela seleção desde outubro de 2023 e perdeu a estreia no Grupo C, o empate por 1 a 1 com Marrocos, devido a uma lesão.
Ancelotti confirmou que o atacante de 34 anos, ex-Barcelona e Paris Saint-Germain, está pronto para retornar contra a Escócia. "Ele está disponível. Treinou muito bem esta semana. Está em forma e pronto para jogar", disse Ancelotti. "Estamos muito felizes. É um jogador de altíssima qualidade. Pode jogar um tempo ou os 90 minutos inteiros. Está muito bem, trabalhou duro. Então está pronto. Sua atitude é muito boa e ele está de bom humor. É um bom jogador, bom companheiro, muito sério, e queremos colocá-lo para jogar o mais rápido possível. Ele traz experiência, conhecimento e está indo muito bem."
Vini Jr como protagonista
Será fascinante observar quanto da velha magia Neymar conseguirá recuperar, mas tudo indica que, se o Brasil quiser chegar às fases decisivas do torneio, Vinicius Júnior será o catalisador. Com dois gols em dois jogos, incluindo um empate espetacular quando o Brasil perdia por 1 a 0 e sofria com a excelência geral de Marrocos, ele evitou que um início abaixo do esperado se tornasse algo mais preocupante.
"Ele está jogando muito bem", disse Ancelotti, que treinou o brasileiro no Real Madrid antes de assumir a Seleção em 2025. "Precisamos usá-lo, embora tenhamos outros jogadores fantásticos. Temos experiência, qualidade e pernas. Estou completamente satisfeito com todos eles. Tenho que fazer todos os jogadores se adaptarem ao estilo da equipe."
Aí reside a genialidade de Ancelotti: pegar grandes superestrelas e seus egos ainda maiores e fazê-los funcionar como uma unidade coesa. Ele é o técnico mais vitorioso da história da Liga dos Campeões, com cinco títulos, e o único a conquistar títulos nas cinco principais ligas europeias. Mas levar o Brasil ao título mundial elevaria ainda mais sua candidatura a maior treinador de todos os tempos.
Respeito à Escócia
É difícil imaginar que Ancelotti tenha perdido o sono preocupado com uma seleção escocesa que conseguiu apenas dois chutes a gol em dois jogos do grupo até agora, mas ele está há tempo suficiente no futebol para saber que deve demonstrar respeito aos adversários. Talvez ele tenha notado como os escoceses dificultaram a vida de Marrocos nos últimos 15 minutos em Boston, mesmo sem conseguir furar o bloqueio adversário.
"Jogo difícil, como de costume", afirmou. "A Escócia tem qualidade, são lutadores, jogam muito bem organizados. Têm jogadores realmente bons, como [Scott] McTominay e [John] McGinn, que são experientes e estão acostumados a esse tipo de partida. Será um jogo muito difícil, como sempre. Estamos prontos para um jogo difícil. Eles são uma equipe forte, com uma estratégia muito clara. Geralmente jogam no 4-4-2, com bolas longas. Tentarão fazer muitos cruzamentos. Precisamos controlar a partida nesse sentido."
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