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Curaçao, menor que a Ilha de Man e com forte influência holandesa, faz história na CopaCuraçao se tornou a menor nação, em tamanho e população, a se classificar para uma Copa do Mundo. Com forte influência holandesa e orgulho próprio, a ilha caribenha de 158 mil habitantes estreia no torneio em 2026, enfrentando Alemanha, Equador e Costa do Marfim no Grupo E./images/pt/2026/06/curacao-menor-que-a-ilha-de-man-e-com-forte-influencia-holandesa-faz-historia-na-43be0695-800w.webpCuraçao, menor que a Ilha de Man e com forte influência holandesa, faz história na Copa

Curaçao, menor que a Ilha de Man e com forte influência holandesa, faz história na Copa

Atualizado 5 min read
Curaçao, menor que a Ilha de Man e com forte influência holandesa, faz história na Copa

Resumo breve

Curaçao se tornou a menor nação, em tamanho e população, a se classificar para uma Copa do Mundo. Com forte influência holandesa e orgulho próprio, a ilha caribenha de 158 mil habitantes estreia no torneio em 2026, enfrentando Alemanha, Equador e Costa do Marfim no Grupo E.

Curaçao, uma deslumbrante ilha caribenha de pequenas dimensões, conhecida mundialmente pelo licor que leva seu nome, está prestes a escrever um capítulo inédito na história do futebol. Com uma área menor que a Ilha de Man e uma população de 158 mil habitantes — inferior à de 40 cidades e vilas do Reino Unido —, a ilha se tornou a menor nação, tanto em território quanto em número de habitantes, a garantir vaga em uma Copa do Mundo.

Apesar de não ser um país totalmente soberano — integra o Reino dos Países Baixos, assim como Aruba e Sint Maarten —, Curaçao conquistou o direito de disputar o Mundial de 2026, que será sediado por Estados Unidos, México e Canadá. A classificação histórica gerou uma onda de euforia na ilha, que se vestiu de azul, cor da bandeira nacional.

Uma seleção forjada na diáspora

Dos 26 jogadores convocados para a Copa, apenas um nasceu em Curaçao: Tahith Chong, que atua como atacante. Os outros 25 são naturais dos Países Baixos, mas com raízes curaçauenses. Essa característica reflete a forte ligação entre a ilha e sua diáspora, que tem aproximadamente o mesmo tamanho da população local.

O capitão Leandro Bacuna, ex-jogador do Aston Villa e do Cardiff, destacou o orgulho de representar a ilha: "Fizemos algo tão bonito por Curaçao. Comecei esta jornada há 10 anos e queria deixar o povo de Curaçao orgulhoso. O técnico insiste que ainda não terminamos. Queremos mostrar que, por menores que sejamos, temos um coração gigante. Se você tem um coração grande, acredito que pode ir longe."

Seu irmão, Juninho Bacuna, que jogou por Huddersfield, Rangers e Birmingham, seguiu o mesmo caminho em 2019. "É algo que sempre desejamos — quando éramos crianças, sonhávamos em jogar juntos na mesma equipe, no mesmo campo. Por isso decidi cedo jogar por Curaçao, para estar com ele, orgulhar nossos pais e a ilha."

A maior leva de talentos nascidos na Holanda ocorreu recentemente: 15 dos convocados estrearam pela seleção a partir de 2023. Entre eles, Chong, que representou a Holanda nas categorias de base até sub-21 antes de trocar de seleção no ano passado.

Juninho Bacuna explicou a conexão: "Temos muitos jogadores que atuam na Holanda e que nunca pensaram em jogar por Curaçao. Mas você vê o coração, a crença e a ligação que eles têm com a ilha. Eles sentem o amor do povo, sentem tudo da ilha, e a conexão se fortaleceu cada vez mais."

Para Boudino de Jong, cofundador da Profound, parceira digital da Federação de Futebol de Curaçao (FFK), a ausência de jogadores locais não é um problema. "Estamos muito acostumados com nossa diáspora fora da ilha. Isso não é um fator em como nos identificamos. Mesmo que um jogador não tenha nascido aqui, ele sente uma conexão extrema e se identifica como curaçauense."

O papel de Dick Advocaat e a virada de chave

O presidente da FFK, Gilbert Martina, atribui o sucesso a dois fatores: a contratação do lendário técnico Dick Advocaat em 2024 e a capacidade de financiar adequadamente a equipe. "Um treinador de alto nível, como Dick Advocaat, cria um efeito cascata, gera confiança. Ele preparou a mentalidade e a atitude da equipe para aprender a jogar por resultados, não apenas por diversão."

Na campanha de classificação para a Copa, Curaçao ficou invicto, com sete vitórias e três empates. O jogo decisivo, um empate sem gols contra a Jamaica, foi comandado pelo auxiliar Dean Gorre, já que Advocaat se ausentou por motivos familiares. Gorre, ex-jogador de Huddersfield, Barnsley e Blackpool, assumiu o comando na ocasião e sentiu a pressão: "A pressão é alta porque, de repente, você está no comando de algo que toda a ilha observa. Se tivéssemos perdido, a culpa seria minha, e essa é a maior pressão."

Kenji Gorre, filho de Dean e atacante da seleção, viveu uma situação única: "Ver meu pai liderar o jogo mais importante da história de Curaçao, viver isso com ele e estar em campo enquanto ele era o técnico é algo especial."

Advocaat deixou o cargo em fevereiro para cuidar da filha doente, mas retornou após a saída de Fred Rutten, que perdeu os dois jogos seguintes e enfrentou pressão de jogadores e patrocinadores. A volta do experiente treinador, agora com 78 anos, o torna o técnico mais velho da história das Copas. Ele comandará a equipe na estreia contra a Alemanha, no domingo (18h, horário de Brasília), em Houston.

"A ilha está ficando azul"

A classificação para a Copa transformou Curaçao. "Você vê a decoração da onda azul nos edifícios. Vê carros com bandeiras, carros envelopados de azul. É um impulso enorme para o orgulho e a construção da nação", disse Martina.

Boudino de Jong descreveu a celebração após a vaga: "O trânsito parou. Todos os carros estacionaram na rua e as pessoas saíram. Nunca vi uma celebração tão unida em escala nacional. Muitas pessoas estão vindo para a ilha para assistir aos jogos junto com os curaçauenses."

O atacante Kenji Gorre resumiu o significado: "Esta é uma história do impossível se tornar possível. Uma história de esperança. Uma história que poderei contar aos meus filhos e netos. Será uma história que ecoará por gerações na família Gorre e no mundo de Curaçao."

Curaçao integra um seleto grupo de nações não totalmente independentes a disputar uma Copa, ao lado de Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda do Norte e das extintas Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia). Até 2010, a ilha fazia parte das Antilhas Neerlandesas, e sua seleção é vista como continuação daquela equipe.

Com a estreia marcada para este domingo, Curaçao busca avançar às oitavas de final como um dos melhores terceiros colocados. O sonho de enfrentar a Holanda nas fases eliminatórias mobiliza os jogadores. Juninho Bacuna promete: "Se isso acontecer, darei não 100, não 200, mas 1000% a mais do que jamais dei. Queremos mostrar ao mundo que somos uma ilha pequena, mas com um coração enorme, crença e muito talento."

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