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Da tragédia à história na Copa: a jornada de Aymen Hussein

Atualizado 3 min read
Da tragédia à história na Copa: a jornada de Aymen Hussein

Resumo breve

Aymen Hussein marcou o segundo gol do Iraque em Copas do Mundo, mas sua trajetória é marcada por tragédias pessoais e superação.

O placar de 4 a 1 contra a Noruega na estreia do Iraque na Copa do Mundo contou uma história, mas Aymen Hussein tem outra para contar. Apesar da derrota, o prolífico atacante deixou sua marca no maior palco do futebol ao marcar de cabeça, aos 39 minutos, o gol de empate que anulou o tento inicial de Erling Haaland e deu aos torcedores iraquianos um momento para celebrar o retorno do país ao torneio após 40 anos.

Embora o gol tenha sido apenas um consolo — e mais tarde ofuscado por um gol contra do próprio Hussein —, ele representou apenas o segundo gol do Iraque em toda a história das Copas do Mundo. O técnico Graham Arnold elogiou o atacante: "Ele é o tipo de jogador muito difícil de controlar dentro da área. Estou muito feliz e orgulhoso dele."

Uma infância marcada pela tragédia

Hussein cresceu em um Iraque onde o futebol oferecia momentos de união em meio à turbulência. A conquista improvável da Copa da Ásia de 2007 pela seleção iraquiana desencadeou celebrações por todo o país. Na época, os jogadores eram semiprofissionais e foram forçados a se preparar para o torneio na Jordânia devido à crise de segurança no Iraque, que ceifava dezenas de milhares de vidas todos os anos. A chocante vitória nas semifinais sobre a Coreia do Sul foi manchada por um atentado suicida contra torcedores que comemoravam em Bagdá, matando dezenas.

O jovem Hussein também enfrentou tragédias pessoais. Aos 12 anos, em 2008, seu pai — um soldado do exército iraquiano — foi morto a tiros pela Al-Qaeda enquanto comprava materiais para a construção da casa da família. Anos depois, outro golpe: seu irmão mais velho foi sequestrado durante um período de agitação e nunca mais foi visto. "Decidi parar de jogar futebol para cuidar da minha família, mas minha mãe recusou", contou Hussein em uma entrevista. Em vez disso, ela o incentivou a perseguir seu sonho — um sonho que o levou a guiar o Iraque à primeira Copa do Mundo desde 1986.

O caminho até a Copa

A preparação de Hussein para o Mundial foi conturbada. No início do mês, ele foi detido e interrogado por cerca de sete horas no aeroporto O'Hare, em Chicago, ao chegar aos Estados Unidos. Acabou sendo liberado — ao contrário do fotógrafo da seleção iraquiana, Talal Salah. Quando Hussein subiu para cabecear e vencer o goleiro norueguês Orjan Nyland, foi um momento de orgulho.

Desde 2023, Hussein tem sido um nome constante para os Leões da Mesopotâmia, destacando-se pelo domínio aéreo e pelos chutes precisos dentro da área. Foi o grande nome da campanha histórica de classificação do Iraque, marcando 12 gols — mais que o dobro de qualquer companheiro — e garantindo a vaga na Copa através da repescagem intercontinental. Foi Hussein quem marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia, em Guadalupe, em março, que selou a classificação.

No entanto, sua forma era questionada antes da Copa, após uma temporada em que teve poucos minutos em seu clube, o Al-Karma. Ele respondeu aos críticos com uma atuação resiliente contra uma das equipes mais empolgantes do torneio. "Ele teve várias lesões durante a temporada. Para ele completar 90 minutos com aquela energia e ainda marcar um gol foi fantástico", disse Arnold.

Se Hussein mantiver esse nível, o Iraque pode acreditar que conseguirá avançar em um desafiador Grupo I, que também inclui França (vice-campeã de 2022) e Senegal.

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