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Escócia na Copa de 1990: 'Mais uma história de azar'A campanha da Escócia na Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi marcada por altos e baixos, desde a derrota surpreendente para a Costa Rica até a vitória sobre a Suécia e a eliminação dramática contra o Brasil./images/pt/2026/06/escocia-na-copa-de-1990-mais-uma-historia-de-azar-7cfd38c4-800w.webpEscócia na Copa de 1990: 'Mais uma história de azar'

Escócia na Copa de 1990: 'Mais uma história de azar'

Atualizado 5 min read
Escócia na Copa de 1990: 'Mais uma história de azar'

Resumo breve

A campanha da Escócia na Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi marcada por altos e baixos, desde a derrota surpreendente para a Costa Rica até a vitória sobre a Suécia e a eliminação dramática contra o Brasil.

A Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, teve como trilha sonora a ária Nessun Dorma (Ninguém Dormirá), da ópera Turandot, de Giacomo Puccini, interpretada pelo tenor Luciano Pavarotti. Na ópera, os pretendentes de uma princesa precisam decifrar três enigmas para conquistá-la, sob pena de morte. A analogia com a campanha da Escócia no torneio é clara: os enigmas eram como vencer a Costa Rica na estreia e, depois, somar pontos suficientes contra Suécia e Brasil para avançar. Até mesmo um terceiro lugar no grupo poderia ser suficiente, mas o final feliz, mais uma vez, não veio.

Primeiro ato: 'Parem o mundo, queremos descer'

A Costa Rica estreava em Copas do Mundo, enquanto a Escócia disputava sua quinta edição consecutiva. O que parecia uma partida fácil se transformou em pesadelo. Juan Arnoldo Cayasso marcou o único gol da partida no início do segundo tempo, dando a vitória aos costarriquenhos.

O técnico escocês Andy Roxburgh relembrou à BBC Scotland: "Isso toca num ponto sensível. O treinador deles, Bora Milutinovic, tornou-se um bom amigo meu. Ele me disse: 'Vocês não faziam ideia do que faríamos'. Eles fizeram muitos jogos fechados e treinaram táticas exaustivamente. Ele sabia tudo sobre nós porque todos os nossos amistosos foram públicos."

Roxburgh acrescentou: "Poderíamos ter vencido por 3 a 1 ou 4 a 1. Maurice Johnston teve algumas chances que normalmente terminariam no fundo da rede." No entanto, o goleiro costarriquenho Luis Gabelo Conejo frustrou as investidas escocesas.

O ex-meio-campista Stuart McCall recordou: "Havia uma história antiga de que descobrimos que o goleiro deles era muito baixo, por isso começamos com o grandalhão Alan McInally no ataque e mandamos muitos cruzamentos. Mas ele tinha 1,90m e era excelente! Pegava bolas no ar dentro da área." McCall também lembrou de ser atingido por cachecóis escoceses ao deixar o campo, enquanto a ira da Torcida Escocesa (Tartan Army) se manifestava.

Roxburgh acrescentou: "Lembro que no dia seguinte saiu uma manchete: 'Parem o mundo, queremos descer', e tudo falava sobre como eu deveria ser demitido."

Segundo ato: 'De zero a heróis'

A pressão sobre a Escócia aumentava. A Suécia, próxima adversária, também havia perdido na estreia para o Brasil. A partida em Gênova, em 16 de junho, era decisiva para ambas as equipes.

"No caminho para o estádio, vimos uma placa enorme que dizia: 'Não se preocupe, Andy, seu aviso prévio está a caminho'. Eu mesmo ri", contou Roxburgh. "Mas lembro de estar no túnel e ver os rapazes de cabeça erguida, enquanto os suecos pareciam nervosos. Pensei: 'Ainda bem que estou com o time de azul-marinho'."

McCall concordou: "Joguei quase mil partidas competitivas e acredito genuinamente que duas delas foram vencidas no túnel. Uma foi quando estava no Bradford e vencemos o Wimbledon para permanecer na Premier League; a outra foi naquela noite contra a Suécia. Tínhamos Roy Aitken na frente, todo estilo Coração Valente, Alex McLeish com seu cabelo ruivo e sardas, Jim Leighton e Robert Fleck sem os dentes. Você olhava para os suecos, Adônis bronzeados. Pareciam atletas; nós parecíamos selvagens, gritando e berrando."

A Escócia abriu o placar cedo: McCall completou um desvio de Dave McPherson aos 11 minutos. "Eu era mortal de alguns centímetros", brincou. Johnston ampliou de pênalti, e o gol de Glenn Strömberg, aos 86 minutos, não foi suficiente para evitar a vitória escocesa por 2 a 1. O orgulho estava restaurado, e a esperança de classificação, que parecia remota, renasceu.

Terceiro ato: 'Típica Escócia'

Quatro dias depois, em Turim, a Escócia enfrentou o Brasil. Com quatro dos seis terceiros colocados avançando às oitavas, um empate bastaria. Até mesmo uma derrota poderia não ser fatal. "Jogar pelo empate teria demonstrado a atitude errada", disse Roxburgh. "[Aitken] teve uma cabeçada salva em cima da linha pelo Branco. Alguns dizem que isso irritou os brasileiros — o jogo estava morno e, de repente, eles perceberam que queríamos vencer."

McCall lembrou: "Chegamos ao estádio e os dois ônibus chegaram juntos. Os brasileiros eram cercados por belas dançarinas, e nós tínhamos a Torcida Escocesa nos oferecendo goles de cerveja. Nos seguramos bem contra eles; o jogo estava equilibrado."

Faltando nove minutos, o substituto Müller empurrou a bola para o gol após um chute defendido por Jim Leighton. Minutos depois, a Escócia quase empatou, mas foi negada por um lance de genialidade. "Toquei a bola para o pequeno Mo [Johnston] e ele acertou uma meia-bicada fantástica de uns seis a oito metros", recordou McCall. "Mas o Taffarel fez uma defesa inacreditável e jogou por cima do travessão. Foi típico da Escócia. Mais uma história de azar."

Uma história de azar com um epílogo, como se viu. Ainda não estava tudo perdido. Com apenas dois pontos em três jogos, ainda era possível que os escoceses se classificassem se outros resultados ajudassem. Isso significou uma angustiante espera de 24 horas. "Nos mudamos para uma cidade tranquila", explicou McCall. "Tivemos que matar o tempo caminhando, tomando café e assistindo aos jogos, mas nenhum resultado nos favoreceu e fomos eliminados." Em estilo operístico, a Dama Gorda metafórica havia cantado e, para a Escócia, era a mesma canção de sempre.

Elenco da Escócia na Copa de 1990

Goleiros: Jim Leighton (Aberdeen), Andy Goram (Oldham Athletic), Bryan Gunn (Norwich City)

Defensores: Alex McLeish (Aberdeen), Roy Aitken (Newcastle United), Richard Gough (Rangers), Maurice Malpas (Dundee United), Gary Gillespie (Liverpool), Craig Levein (Heart of Midlothian), Stewart McKimmie (Aberdeen), Dave McPherson (Heart of Midlothian)

Meio-campistas: Paul McStay (Celtic), Jim Bett (Aberdeen), Murdo MacLeod (Borussia Dortmund), Stuart McCall (Everton), John Collins (Hibernian), Gary McAllister (Leicester City)

Atacantes: Maurice Johnston (Rangers), Ally McCoist (Rangers), Gordon Durie (Chelsea), Alan McInally (Bayern Munich), Robert Fleck (Norwich City)

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