Milhares recebem seleção de Cabo Verde após campanha histórica no Mundial

Resumo breve
Milhares de fãs eufóricos receberam a seleção de futebol de Cabo Verde no aeroporto da Praia após uma campanha histórica no Mundial, onde o país mais pequeno do torneio empatou com gigantes como Espanha e Argentina. O regresso coincidiu com o 51.
Milhares de cabo-verdianos encheram as imediações do Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na capital Praia, no domingo, para receber a seleção nacional de futebol após uma campanha histórica no Campeonato do Mundo. Os Tubarões Azuis, como é conhecida a equipa, foram eliminados na fase de grupos após um emocionante empate frente à Argentina, campeã em título, mas o feito de terem chegado ao torneio e competido de igual para igual com algumas das melhores seleções do mundo transformou-os em heróis nacionais.
Uma receção apoteótica
O ambiente no aeroporto era de pura euforia. Os adeptos, muitos vestidos com as cores nacionais, transformaram o local numa verdadeira festa, ao som de tambores, danças e cânticos. Bandeiras de Cabo Verde acenavam por todo o lado enquanto os jogadores desembarcavam. O guarda-redes Vozinha, cujo nome verdadeiro é Josimar José Évora Dias, foi um dos mais aclamados, com a multidão a gritar o seu nome e o de outros heróis, como o defesa-central Pico Lopes.
Vozinha, que usava uma t-shirt branca com o nome do país estampado, disse à BBC: "É um momento muito especial para nós estarmos aqui com o nosso povo. Queríamos mais, não conseguimos passar à fase seguinte, mas agora aproveitamos o momento e celebramos com a nossa gente."
Uma apoiante, que não se identificou, explicou à BBC que veio ao aeroporto para agradecer aos Tubarões Azuis: "Eles representaram o segundo país mais pequeno do Mundial, nunca tinham jogado num torneio destes, e mesmo assim enfrentaram de igual para igual equipas como Espanha e Uruguai. Estou muito orgulhosa."
Uma campanha de sonho
Cabo Verde chegou ao Mundial na 67.ª posição do ranking mundial, mas rapidamente mostrou que não estava ali para fazer número. No jogo de abertura, segurou um empate sem golos frente à Espanha, campeã europeia. Seguiram-se dois outros empates na fase de grupos, que colocaram a equipa diante da tarefa monumental de tentar uma das maiores surpresas da história do torneio: vencer a Argentina.
No jogo decisivo, os cabo-verdianos saíram atrás do marcador após um golo de Lionel Messi, mas conseguiram empatar ainda na primeira parte. O jogo foi para prolongamento, onde a Argentina voltou a marcar. Mais uma vez, Cabo Verde reagiu: um remate espetacular de Sidny Lopes Cabral restabeleceu a igualdade. O destino, porém, reservava uma reviravolta cruel: um desvio infeliz em Diney Borges, após um cabeceamento de Cristian Romero, deu a vitória à Argentina a 10 minutos do fim, evitando o desempate por penáltis.
Orgulho nacional
Apesar da eliminação, o selecionador Pedro Leitão Brito, conhecido como Bubista, não escondeu o orgulho. "Mostrámos que podemos ser um país pequeno, mas que somos capazes de jogar contra as melhores equipas do mundo. Isso é motivo de orgulho", afirmou. "Fizemos história para o nosso país. Eles podem orgulhar-se de ter representado Cabo Verde."
O regresso da equipa coincidiu com as celebrações do 51.º aniversário da independência de Cabo Verde, que marca o fim do domínio colonial português. A festa no aeroporto foi, assim, dupla: a alegria pelo feito desportivo e a comemoração da soberania nacional. Os jogadores, visivelmente emocionados, não se fizeram rogados e autografaram camisolas e bandeiras dos fãs que os aguardavam.
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