As apostas defensivas de Tuchel e o que dizem sobre Alexander-Arnold

Resumo breve
A saída de Tino Livramento da seleção inglesa por lesão expõe as fragilidades defensivas de Thomas Tuchel para a Copa do Mundo.
A saída de Tino Livramento da seleção inglesa por lesão expôs as apostas e potenciais fragilidades na escolha defensiva do técnico Thomas Tuchel para a Copa do Mundo. O lateral do Newcastle sofreu uma lesão na panturrilha durante o treino antes da partida de abertura do Grupo do Mundial contra a Croácia, em Dallas (21:00 BST), e o zagueiro do Chelsea, Trevoh Chalobah, foi convocado como seu substituto.
As escolhas iniciais de Tuchel para esta área crucial já carregavam alto risco, dadas as lesões dos prováveis titulares Reece James e John Stones na temporada passada. A saída de Livramento trará ainda mais escrutínio sobre essas decisões. E a escolha de Chalobah, um defensor central de origem, reacenderá o debate sobre por que Tuchel parece não ter intenção de restaurar Trent Alexander-Arnold à seleção inglesa.
Tuchel está correndo riscos defensivos?
A lesão mais recente de Livramento não deveria surpreender Tuchel, já que o lateral do Newcastle — que tinha o apelo de poder jogar em ambos os flancos — perdeu a maior parte do final da temporada passada com um problema na coxa e também havia ficado ausente por lesões nos isquiotibiais.
Isso deixa a Inglaterra com três laterais naturais: James, Djed Spence, do Tottenham Hotspur — que também pode jogar na direita e na esquerda — e Nico O'Reilly, do Manchester City, que também pode atuar no meio-campo. Dan Burn, do Newcastle, pode jogar na lateral esquerda, enquanto Jarell Quansah e Ezri Konsa podem ocupar posições mais abertas, mas haveria sérias preocupações em escalar qualquer um deles em funções não habituais contra atacantes de alto nível em uma Copa do Mundo.
Como o antecessor de Tuchel, Sir Gareth Southgate, descobriu ao escalar Alexander-Arnold no meio-campo na Euro 2024, um grande torneio não é momento para experimentos ou para colocar jogadores em posições inadequadas. Substituir Livramento por Chalobah — outro exemplo da aparente preferência de Tuchel por defensores altos e físicos — novamente sugere que Konsa será escolhido em vez de Marc Guehi contra a Croácia.
Chalobah tem apenas uma convocação para a seleção principal, na derrota por 3 a 1 para o Senegal no City Ground há um ano, então é um grande voto de confiança de Tuchel em um jogador de 26 anos inexperiente neste nível. Stones, 32 anos, continua sendo o defensor mais elegante e experiente da Inglaterra ao entrar em seu sexto grande torneio. Tuchel é um grande admirador de sua qualidade. No entanto, o zagueiro tem lutado contra lesões — tendo iniciado apenas cinco jogos da Premier League na temporada passada. Ele deixou o Manchester City no final da temporada passada.
O capitão do Chelsea, James, tem sofrido com lesões frequentes nos isquiotibiais nos últimos anos. Ele começou apenas 20 jogos da liga na temporada passada. Stones e James são defensores de alta qualidade, mas Tuchel terá que torcer pela forma física deles e administrar os minutos nas condições escaldantes que a Inglaterra enfrentará. A defesa dos Três Leões é a área menos estabelecida e mais preocupante da equipe. E continuará sendo.
Alexander-Arnold sofre nova rejeição
A decisão de Tuchel de selecionar um zagueiro como Chalobah, em vez de um lateral natural, é mais uma prova de que Alexander-Arnold, do Real Madrid, continua fora dos planos. O destino de Alexander-Arnold parecia selado já em agosto, quando Tuchel o deixou fora da convocação para as eliminatórias da Copa do Mundo contra Andorra e Sérvia. Isso aconteceu depois que Tuchel chegou a escalar Curtis Jones, ex-companheiro de Alexander-Arnold no Liverpool e meio-campista central, em vez dele na lateral direita contra Andorra em junho.
Tuchel deixou claras suas preocupações sobre as supostas fragilidades defensivas de Alexander-Arnold, dizendo: "Se ele quer ter esse impacto na seleção inglesa, então ele tem que levar a parte defensiva muito, muito a sério. Porque quando estamos falando, especialmente sobre futebol de eliminatórias e depois futebol de torneio, o único erro defensivo, o único momento em que você não está 100% alerta, pode ser decisivo. Pode ser o momento em que você faz as malas e vai para casa."
Fazer as malas cedo para um voo de volta para a Inglaterra não está na agenda de Tuchel — então um dos jogadores mais talentosos do país é preterido novamente. Alexander-Arnold não foi incluído na lista de 35 jogadores de Tuchel para os amistosos contra Uruguai e Japão em março, perdendo a vaga novamente quando o técnico precisou de reforços. Tuchel, em vez disso, convocou Ben White, do Arsenal, que não tem sido titular no clube e estava em autoexílio da seleção desde a Copa do Mundo do Catar em 2022.
Alexander-Arnold chegou a fazer parte da lista provisória de 55 jogadores de Tuchel para a Copa do Mundo, embora isso dificilmente possa ser chamado de endosso entusiasmado. Isso contrasta fortemente com a confiança depositada em Alexander-Arnold por Lee Carsley, técnico da seleção sub-21 da Inglaterra, que fez a ponte entre a saída de Southgate e a nomeação de Tuchel. Carsley chegou a usar Alexander-Arnold como lateral esquerdo em uma vitória por 3 a 1 na Liga das Nações contra a Finlândia em outubro de 2024, coroando sua atuação com um excelente cobrança de falta.
Alexander-Arnold começou quatro dos seis jogos sob o comando de Carsley, mas nenhum dos 14 de Tuchel — esses fatos falam por si. Como um técnico que se concentra na união do grupo, havia a preocupação de que ter um jogador tão famoso à margem pudesse levar Alexander-Arnold a se tornar uma distração não intencional e foco de atenção? A mais recente rejeição a Alexander-Arnold parece ser mais uma evidência de que não há caminho de volta para ele na seleção enquanto Tuchel estiver no comando.
A abordagem pragmática de Tuchel para a Copa do Mundo
Ao nomear sua lista de 26 jogadores para a Copa do Mundo, Tuchel deixou clara sua abordagem de seleção. O alemão disse: "Estamos tentando selecionar e construir o melhor time possível, o que não é necessariamente selecionar os 26 jogadores mais talentosos. Times vencem campeonatos." Se há uma referência à história, esta foi exatamente a declaração de missão de Sir Alf Ramsey antes de a Inglaterra vencer a Copa do Mundo de 1966.
Tuchel escolheu um elenco talentoso, mas também pragmático, que ele acredita estar fisicamente preparado para a tarefa que tem pela frente. Isso foi uma má notícia para o defensor do Manchester United, Luke Shaw, e para o lateral esquerdo do Newcastle, Lewis Hall, enquanto a renascença do jovem do Arsenal, Myles Lewis-Skelly, chegou tarde demais para mudar a opinião de Tuchel. O veterano do Manchester United, Harry Maguire, quebrou o silêncio antes da lista ser oficialmente divulgada para revelar que havia sido excluído e estava "chocado e arrasado". Tuchel, na verdade, havia afirmado depois que Maguire retornou à seleção nos amistosos contra Uruguai e Japão em março que ele ainda era a quinta opção em sua lista de zagueiros.
Decepção para alguns significou alegria para outros. E a convocação de Chalobah é fácil de explicar. O jogador do Chelsea é uma presença física forte e aérea — bem ao gosto de Tuchel para um defensor. É por isso que Konsa, do Aston Villa, é cotado para ser titular em vez de Guehi, do Manchester City, contra a Croácia, e isso ajuda a explicar a inclusão de Burn, de 2,01 m. O gigante de 34 anos é improvável de ser titular, mas sua presença física pode ter um impacto significativo no jogo aéreo em ambas as áreas, com as bolas paradas sendo uma parte importante da estratégia de Tuchel.
As condições devem ser desgastantes nos EUA, com a possibilidade de a Inglaterra enfrentar os co-anfitriões México na altitude da Cidade do México nas oitavas de final. E está claro que Tuchel quer que a Inglaterra esteja tão pronta fisicamente quanto no contexto do futebol enquanto embarcam em sua busca para vencer a Copa do Mundo.
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