Vinicius Jr cala a Torcida Escocesa e deixa Escócia à beira da eliminação

Resumo breve
O Brasil venceu a Escócia por 3 a 0 em Miami, com dois gols de Vinicius Jr, que silenciou a vibrante Torcida Escocesa. A seleção escocesa agora depende de resultados de outros jogos para avançar no torneio, após atuação apagada e erros defensivos.
Que a Torcida Escocesa seja abençoada em toda sua magnífica e etílica glória. Que sejam abençoados por seu barulho, cor e simpatia contagiante. Que sejam abençoados por encantar os cidadãos de Boston e Miami e por garantir uma página inteira na edição de quarta-feira do jornal O Globo, o mais vendido do Brasil.
Eles tentaram levantar sua equipe em Miami, mas nem um guindaste conseguiria tirar a Escócia do chão — não com a defesa que apresentaram no início, não enquanto só reagiram e forçaram cinco defesas de Alisson, goleiro do Brasil, quando já perdiam por 3 a 0.
“Falta de competitividade em campo, Escócia faz show com sua torcida”, estampou a manchete do O Globo.
Pois o show parou em Miami. Vinicius Jr invadiu a festa, interrompeu a música e mandou todo mundo para a cama. O Brasil fez o que alguns consideravam impossível: silenciou a Torcida Escocesa, sugou a energia de pessoas que peregrinavam pelo país havia semanas, dormindo pouco, bebendo muito e transbordando otimismo.
Houve alguns gritos de desafio, demonstrações de beligerância, mas a partida estava praticamente decidida após sete minutos, quando Vini Jr marcou seu primeiro gol, e totalmente definida quando ele fez o segundo antes do intervalo.
Manadas de gnus em disparada pareceram menos impressionantes do que esses torcedores ao longo de semanas. Na quarta-feira, sob a abafada umidade de Miami, o Brasil os encurralou e os jogou contra uma parede amarela. O placar final foi 3 a 0, e isso pode significar o fim da linha para a Escócia.
Chance de redenção ou viagem à câmara de tortura?
Desde o início, olhávamos para o jogo, mas também calculávamos o significado absurdo de tudo aquilo. Desviávamos o olhar para entender o que aquilo representava no panorama geral.
Antes dos jogos de quarta-feira, a Escócia estava relativamente bem, ocupando a segunda posição entre os melhores terceiros colocados do torneio. A vitória da Bósnia-Herzegovina sobre o Catar fez a Escócia cair para terceiro. O domínio do Brasil a fez cair ainda mais. Para baixo e para baixo, sua vantagem foi praticamente eliminada, e sua obsessão por resultados alheios nos dias seguintes se multiplicou.
Eles voltarão para Charlotte, Carolina do Norte, na quinta-feira: abatidos e atordoados, incertos sobre seu futuro no torneio — se é que ainda têm um.
Na situação atual, as projeções os colocam contra o México na terça-feira — uma chance de redenção ou mais uma viagem à câmara de tortura?
Isso pode mudar, é claro. Outras equipes nos próximos dias terão muito a dizer sobre isso.
A Escócia está na corda bamba por uma vaga entre os 32 melhores. Essa é a terra de ninguém em que vivem agora, olhando freneticamente para os destinos de Senegal e Equador, Curaçau e Cabo Verde, Arábia Saudita e outros.
Havia uma certa inevitabilidade nisso. Até golear a Bolívia no início do mês, a Escócia nunca havia vencido uma seleção sul-americana. Nunca havia vencido o Brasil em 10 tentativas ao longo de 50 anos. Eles reagiram e criaram momentos, mas foi tarde demais.
Quando Vini Jr marcou aos sete minutos, aqueles alertas de tempestade que antes pareciam uma ameaça agora soavam como um alívio. Setenta segundos na semana passada contra o Marrocos e sete minutos aqui em Miami. Cadê a maldita tempestade? Cadê o trovão e a trégua?
A Escócia não apenas sofre gols, ela cria calamidades — o tipo de defesa pastelão que um jogador como Vini Jr espera para aproveitar.
Scott McKenna acordará no meio da noite pelo resto de seus dias depois disso. Ele se lembrará da sensação de pânico ao hesitar com a bola, verá Rayan o desarmando em seus sonhos. Chutar a bola? Não, hesitar e morrer.
Quando a bola sobrou para Vini Jr, os melhores esforços de Angus Gunn no gol não foram suficientes para detê-lo. Em seu próprio momento de terror, Gunn agiu como um homem pulando de um armário tentando assustar alguém. O brasileiro apenas contornou o goleiro e tocou para o gol.
Durante dias, os escoceses trabalharam para ter um início sólido após sofrerem um gol cedo contra o Marrocos. Todo esse planejamento se dissipou no céu de Miami assim que o Brasil abriu o placar.
Dar presentes para Vini Jr teria sido o começo, o fim e o meio das coisas que a Escócia sabia que não podia fazer.
Foi o quarto gol dele em Copas do Mundo. Naquele momento, ele se tornou apenas o quinto brasileiro a marcar em todas as três partidas da fase de grupos em uma única Copa — Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo foram os outros.
Imortais, todos. Ele está a caminho de se juntar a eles no panteão dos grandes.
A Escócia impotente merece voltar para casa?
O barulho e a cor eletrizantes do pré-jogo agora se tornaram exclusivamente samba e quase totalmente amarelos.
Houve um segundo gol para o Brasil — e para Vini Jr — mas o VAR sorriu para a Escócia. A pausa para hidratação chegou, e não era líquido que os azarões precisavam, mas oxigênio, sais de cheiro, conhaques. E aquela tempestade.
Na volta, por alguns breves momentos, eles pareciam, bem, OK. A barra não é alta, mas eles se acalmaram. Ganharam alguns escanteios, deram alguns chutes de longe.
Nada que causasse a menor preocupação ao Brasil, mas foi um respiro, uma pausa das torturas do fenômeno brasileiro na ponta esquerda, se nada mais.
Essa migalha de otimismo foi varrida quando Vini capitalizou um segundo surto de hesitação mundial na frente do próprio gol.
Andy Robertson perdeu a bola às pressas, a Escócia perdeu o confronto, Bruno Guimarães levantou a bola para o segundo pau, Gunn agarrou o ar e Nathan Patterson perdeu Vini Jr. Como ele pôde perdê-lo? Um dos maiores talentos do mundo, e Patterson apenas deixou ele se desmarcar e cabecear para o gol.
A Escócia passou 47 segundos no terço final do Brasil no primeiro tempo. Quando o tempo acabou, eles ainda não haviam registrado um chute no gol desde que John McGinn marcou com uma dupla deflexão aos 28 minutos do jogo contra o Haiti. Mais de três horas sem obrigar o goleiro adversário a trabalhar.
Nenhuma equipe merece ir a lugar algum que não seja para casa quando é tão impotente quanto isso.
Finalmente, a Escócia, com Scott McTominay, conseguiu um chute no alvo, mas Alisson não precisou mover os pés para defender. Vini Jr ficou cara a cara com Gunn logo depois, mas Gunn defendeu. Sem problemas. Guimarães tirou Kenny McLean da jogada e rolou para Matheus Cunha marcar o terceiro.
Eles colocaram Neymar em campo aos 14 minutos do segundo tempo, e o Estádio de Miami explodiu como se um quarto gol tivesse sido marcado. Fazia dois anos e meio que Neymar não vestia a famosa camisa — e que jeito tranquilo de fazer seu retorno. Sem pressão, trabalho feito.
O Brasil avançaria como líder do grupo independentemente do que ele fizesse. Adicionar algum enfeite era sua única tarefa.
A Escócia reagiu e teve chances, a maioria com McTominay, todas defendidas. Era quase doloroso vê-los; tentando de tudo, mas não entregando nada, nem mesmo um gol de consolação que poderia ser significativo. Quem sabe?
Ao final, quatro jogadores escoceses caíram no chão, por decepção, por exaustão. Jogar naquelas condições deve ter sido brutalmente difícil.
Eles estão abatidos, mas estão eliminados? Avançar após um gol de desvio e duas derrotas seria o tipo mais estranho de conquista na história da seleção nacional.
Os próximos dias nos dirão tudo. Por enquanto, o Brasil reina e a confusão impera.
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