Mãe de Vozinha se emociona ao ver Cabo Verde no Mundial

Resumo breve
Ana Candida Evora, mãe do goleiro Vozinha, viveu momentos de forte emoção ao assistir Cabo Verde empatar com o Uruguai na Copa do Mundo. Ela falou à FIFA sobre o orgulho de ver o filho brilhar e a união do povo cabo-verdiano.
Cabo Verde celebra seus heróis enquanto a família de Vozinha se reúne nos Estados Unidos para apoiar a seleção nacional. Ana Candida Evora, mãe do goleiro, estava entre os milhares de cabo-verdianos que vibraram com o empate contra o Uruguai, e concedeu entrevista à FIFA em solo americano.
Um momento inesquecível nas arquibancadas
Os torcedores cabo-verdianos em Miami ficaram em silêncio aos 68 minutos de jogo. Um cruzamento rasteiro pela direita pegou a defesa desprevenida e, após um rebote, o goleiro Vozinha se esticou para tentar dominar a bola. Maxi Araujo também disputava a jogada e, no tumulto que se seguiu, o uruguaio empurrou a bola para o fundo da rede, aparentemente marcando seu segundo gol na noite.
Araujo já corria para comemorar quando o gesto que trouxe alívio aos torcedores cabo-verdianos surgiu: o árbitro norueguês Espen Eskas levantou o braço direito para sinalizar impedimento. Imediatamente, as arquibancadas começaram a cantar o nome de Vozinha. O goleiro já havia sido o destaque da estreia de Cabo Verde contra a poderosa Espanha, e novamente foi chamado a apresentar uma atuação excepcional contra outro ex-campeão mundial. Mais uma vez, ele correspondeu, ajudando sua equipe a segurar o Uruguai em um empate por 2 a 2, resultado que manteve vivas as esperanças de classificação.
Para uma torcedora em particular, as emoções dificilmente poderiam ter sido mais intensas. Ana Candida Evora, mãe de Vozinha, estava nas arquibancadas para ver o filho pela primeira vez nesta Copa do Mundo. Ela também testemunhou sua ascensão a uma nova estrela do futebol mundial, com um número de seguidores no Instagram que saltou de 50 mil para mais de 15 milhões.
"Foi tão emocionante. Meu coração estava na boca. Mas hoje a sorte estava do nosso lado. Nossos corações estão com nosso país, com aqueles que acreditaram após o primeiro jogo. Temos fé. Fé e esperança. Tenho orgulho de Cabo Verde", declarou ela à FIFA.
Ana Candida chegou aos Estados Unidos dois dias antes da segunda partida de Cabo Verde. "Eu nem tinha passaporte. É a primeira vez que saio de Cabo Verde", contou. "É maravilhoso, absolutamente maravilhoso. Não tenho palavras para descrever. Ele passou por tanta coisa. É extremamente emocionante, mas ele fez um bom jogo e fará de novo. Temos que continuar até o fim."
A reação do herói e o apoio da torcida
Ao deixar o campo, Vozinha parecia calmo, mas soava física e emocionalmente esgotado por uma das partidas mais emocionantes do torneio até o momento. "É um sonho realizado para nós e para todos os cabo-verdianos. Estar aqui para honrar isso é uma alegria", disse ele. "O que vi hoje em campo foi uma equipe forte, com uma atitude realmente excelente."
Questionado sobre sua nova fama, pelo menos online, o veterano, que acabou de completar 40 anos, sorriu. "Tenho tentado responder às pessoas mais próximas e aos amigos, mas ainda não respondi a todos. Está uma loucura." De fato, quando as escalações iniciais foram anunciadas nos telões do estádio em Miami, o goleiro recebeu uma ovação ainda maior do que a estrela multicampeã do Real Madrid, Federico Valverde.
Após os dois gols do Uruguai, o nome do herói cabo-verdiano ecoou da torcida em apoio. Eles também soltaram um enorme "olé" quando Vozinha driblou Maxi Araujo poucos minutos após o gol anulado. "É incrível, porque hoje havia uma enorme torcida uruguaia. Parecia um jogo em casa para eles, mas mesmo assim pudemos ouvir os torcedores cabo-verdianos com muita clareza", disse o defensor Pico Lopes à FIFA.
No intervalo, com os sul-americanos vencendo por 2 a 1, conversamos com alguns desses torcedores. Eles podem ter ficado desapontados por ver o jogo virar a favor do Uruguai, mas seus sentimentos iam além do placar. "Para um país tão pequeno, depois de lutar tanto para chegar aqui, significa tudo, especialmente porque não temos os recursos que outros países têm. Mas estamos todos unidos aqui. Nosso lema é ficar juntos, literalmente de mãos dadas, e ir até o fim", disse Rafael, um engenheiro de 29 anos que mora em Rhode Island. Sua voz já estava muito rouca no intervalo, e ele admite que pode ter dado uma espiada ou duas no jogo contra a Espanha enquanto trabalhava.
Cláudio, de 49 anos, coincidentemente também viajou de Rhode Island e estava em sua segunda partida de Copa do Mundo, após assistir à estreia de Cabo Verde em Atlanta. "Classificar-se para a Copa já é uma alegria indescritível. Empatar com a Espanha e marcar um gol contra o Uruguai são como vitórias para nós. Se sairmos daqui com outro empate, sairemos felizes", disse ele profeticamente.
Pico Lopes não poderia estar mais grato por essas palavras. "Isso diz muito sobre o que estamos fazendo. Estamos dando a eles motivos para torcer, e o apoio deles nos dá um impulso extra. Eles são realmente o nosso 12º jogador. A motivação que sentimos ao mostrar que podemos competir no maior palco é imensa."
Caminho pela frente
Com o empate contra o Uruguai, Cabo Verde agora ocupa o terceiro lugar no Grupo H, com dois pontos, atrás da equipe de Marcelo Bielsa apenas por um gol de diferença, e ainda com chances de avançar para as oitavas de final. Na próxima partida, a terceira e decisiva, a seleção viajará a Houston para enfrentar a Arábia Saudita.
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