Infantino admite possibilidade de Copa do Mundo com 64 seleções

Resumo breve
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, sugeriu que a entidade avaliará a expansão da Copa do Mundo para 64 seleções após o torneio de 2026. A proposta, apresentada pela Conmebol em 2025, divide opiniões entre dirigentes do futebol mundial.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, abriu as portas para uma possível expansão da Copa do Mundo masculina para 64 seleções, afirmando que o evento precisa ser "para o mundo inteiro". Em entrevista à emissora suíça Blue Sport, Infantino declarou que a entidade examinará a proposta após o torneio de 2026, que já será o primeiro com 48 equipes.
Expansão em discussão
A proposta de ampliar o Mundial para 64 times foi apresentada oficialmente em abril de 2025 pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Infantino destacou o sucesso da edição com 48 seleções, que está ocorrendo em 2026, como um incentivo para considerar novos formatos. "Quando se organiza uma Copa do Mundo, é importante organizá-la para o mundo inteiro — não apenas para a Europa e a América do Sul, mas efetivamente para todo o mundo. Todas as nações devem poder sonhar em participar da Copa do Mundo", afirmou.
O dirigente também ressaltou o aumento da qualidade técnica das equipes globalmente. "Você pode ver que a qualidade das seleções é extremamente alta e está cada vez maior, em todo o mundo. Se você não der a países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles perderão o incentivo para continuar melhorando."
Infantino citou como exemplo o desempenho das seleções africanas na edição de 2026, onde nove das dez equipes do continente avançaram para as fases eliminatórias. "Na última Copa do Mundo, havia apenas cinco times da África. Isso mostra como é importante incluir todas as equipes — dar a elas essa oportunidade de participar."
Reações contrárias e apoio
A proposta de 64 seleções enfrenta resistência de importantes dirigentes. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, classificou a ideia como "ruim" tanto para o torneio quanto para o processo de classificação. O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, concordou, afirmando que uma nova expansão traria "caos". Já Victor Montagliani, presidente da Concacaf (federação que rege o futebol na América do Norte, Central e Caribe), disse que a sugestão "não parece certa" e que prejudicaria "o ecossistema mais amplo do futebol".
Por outro lado, Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, afirmou que os Estados Unidos poderiam considerar uma candidatura para sediar o torneio de 2038 e seriam capazes de "lidar com" uma edição com 64 equipes.
Desafios para os anfitriões
A expansão do Mundial impõe desafios logísticos significativos. A edição de 2026 é sediada por três países (Estados Unidos, Canadá e México) em uma vasta área geográfica. Em 2030, a Copa será co-sediada por Marrocos, Portugal e Espanha, com três partidas de abertura na Argentina, Uruguai e Paraguai para celebrar o centenário do torneio — o Uruguai sediou a primeira Copa, em 1930. Já a edição de 2034 será na Arábia Saudita, e ainda não se sabe como o país lidaria com um torneio de 64 seleções e 128 jogos.
A Fifa aprovou a expansão de 32 para 48 equipes em 2017, e desde então especula-se sobre um aumento ainda maior. Infantino, eleito em 2016 com a promessa de ampliar o Mundial para 40 times, viu o número subir para 48 em menos de um ano. Uma Copa com 64 seleções significaria que quase um terço das 211 federações filiadas à Fifa se classificariam, gerando mais receita a ser distribuída entre as associações membros.
A posição oficial da Fifa é que discutirá ideias de expansão com as partes interessadas e que é obrigada a considerar qualquer proposta dos membros do conselho. A decisão final caberia ao Conselho da Fifa, mas não há sinais de que isso ocorra em breve.
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