'Até a Coca é grande' — torcedores da Copa nos EUA se encantam com a cultura americana

Resumo breve
Torcedores estrangeiros que vieram para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos estão se maravilhando com o tamanho das coisas, a comida e as peculiaridades do país.
Mal havia chegado aos Estados Unidos para acompanhar sua seleção na Copa do Mundo, e Ayoub Baghdad já estava impressionado com algo que nada tem a ver com futebol: o tamanho de praticamente tudo no país. "Tudo é grande, até a Coca é grande", disse Baghdad, referindo-se ao refrigerante. Ele notou que as estradas, caminhões e prédios são muito maiores do que está acostumado a ver em seu Marrocos natal.
Cerca de 75% das partidas da Copa do Mundo da Fifa de 2026 estão sendo realizadas nos EUA, com México e Canadá sediando o restante. Isso trouxe ao país um número ainda maior de torcedores internacionais ansiosos por explorar a cultura, a paisagem e todas as excentricidades americanas. O resultado são vídeos virais nas redes sociais, com fãs estrangeiros experimentando de tudo: do Waffle House à descoberta do molho ranch, passando por supermercados gigantescos e porções de restaurante que deixam qualquer um de queixo caído.
O fascínio pelo tamanho
A obsessão com as dimensões foi um dos temas mais comentados por torcedores internacionais entrevistados pela BBC sobre suas impressões ao visitar os EUA. "Um lugar assim só poderia existir nos Estados Unidos, e eu AMO isso", disse Shaun, um vlogger da Escócia, após visitar um Buc-ee's — uma loja de conveniência, restaurante, posto de gasolina e supermercado tudo em um só lugar. A popular rede, encontrada principalmente no Sul do país, tem seguidores quase religiosos nos EUA, com fãs posando ao lado do mascote Castor em muitas de suas unidades.
Sabores e descobertas gastronômicas
Para muitos torcedores, a comida é uma das formas de explorar o país. "Acho que a comida em geral é significativamente melhor do que na Inglaterra", afirma Ire Balogun, que viaja de Oxford. "Estou surpreso até com o fast food: tem muito mais sabor. Tenho certeza de que não faz bem em muitos outros aspectos… mas o sabor aparece em tudo, seja comida chinesa ou hispânica."
João Valentim e seus amigos, um grupo de estudantes portugueses de pós-graduação que viajam de Madri, também têm experimentado "principalmente fast food e redes de restaurantes que não temos em nosso país". Até agora, eles foram a redes como a Chipotle (especialidade tex-mex) e a famosa hamburgueria Shake Shack, além de pequenos restaurantes independentes. "É o que estamos acostumados a ver em filmes ou séries", diz Lourenço Silva, do grupo. "Faz parte da experiência de vir aos EUA."
A experiência nos restaurantes também tem surpreendido os viajantes. Alguns postaram online sobre as batatas fritas e salsa grátis que acompanham as refeições em restaurantes hispânicos, ou os refis gratuitos oferecidos em quase todos os estabelecimentos. Para Christian Boateng, ganês que vive na Inglaterra, o choque veio com o tamanho das porções. "A porção que compramos não conseguimos terminar. Não é assim na Inglaterra", disse. Ele também ficou intrigado com o costume americano de não incluir o imposto sobre vendas no preço listado dos produtos — algo que é comum na Inglaterra.
O clima esportivo e outras surpresas
Balogun observou que o clima nos EUA tem sido mais contido em comparação com Copas anteriores que ele acompanhou — esteve na Rússia em 2018 e no Catar em 2022 —, mesmo com o país sediando a maior parte dos jogos. Mas isso é um americanismo à parte: num país onde o futebol não é o esporte nacional e disputa atenção com várias outras modalidades importantes, como o beisebol (que está em temporada) e o futebol americano (o esporte mais popular do país).
Isso foi perfeito para os torcedores ingleses Jason Barnes e Harry Beckley, que acidentalmente se viram no meio de uma multidão de fãs de basquete na Times Square, em Nova York, enquanto o Knicks vencia o San Antonio Spurs para conquistar seu primeiro título da NBA em 53 anos. "Foi a comemoração mais louca que já vi ou da qual já participei", disse Barnes, que viajava de Portsmouth. "Sabemos que o basquete é enorme nos EUA, obviamente não tanto no Reino Unido. Foi surreal… Talvez eu comece a acompanhar basquete por causa disso."
Rumo ao coração dos EUA
Os torcedores internacionais não estão se limitando a locais próximos às cidades-sede ou grandes áreas metropolitanas. Eles estão ansiosos para se aventurar no interior dos EUA em busca de experiências únicas, "só na América". Para Tomás Soares, José de Araújo Vitória e o resto do grupo português, esses caminhos levam ao sul do país — Geórgia, Flórida e as Carolinas. "Vamos comer coisas mais normais e tradicionais americanas, como churrasco e talvez um 'seafood boil' (cozido de frutos do mar)", diz Soares. "É o que a maioria de nós está mais ansioso para experimentar."
Ayoub Baghdad, o torcedor marroquino, admite que os preços nos EUA são definitivamente mais altos em comparação com sua última experiência na Copa do Catar, mas ainda assim vale a viagem. "Você pode fazer seu próprio orçamento para vir assistir talvez um ou dois jogos e levar a experiência para a vida toda, porque isso não vai acontecer de novo."
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