A bandeira que os iranianos não podem hastear na Copa do Mundo

Resumo breve
Iranianos exilados em Los Angeles explicam por que querem hastear a bandeira pré-revolução islâmica de 1979 e rejeitam a que está na camisa de sua seleção na Copa do Mundo.
Para muitos iranianos que vivem no exílio, especialmente na comunidade persa de Los Angeles, a Copa do Mundo no Catar não é apenas um evento esportivo, mas também um palco para expressar identidade e protesto. Enquanto a seleção iraniana entra em campo com a bandeira oficial da República Islâmica estampada no uniforme, um número crescente de torcedores iranianos no exterior opta por hastear a bandeira anterior à Revolução Islâmica de 1979 — o símbolo do Leão e do Sol —, que é proibida dentro do Irã.
O significado da bandeira pré-revolução
A bandeira do Leão e do Sol, que remonta à dinastia Qajar e foi usada até 1979, representa para muitos iranianos um período de maior liberdade política e cultural, antes do estabelecimento da teocracia xiita. Para os iranianos da diáspora, especialmente aqueles que deixaram o país após a revolução, essa bandeira evoca nostalgia e resistência ao regime atual. "É a bandeira do Irã que conhecemos, não a do governo", afirma um torcedor iraniano-americano em Los Angeles, que prefere não se identificar por medo de represálias contra familiares no Irã.
O uso da bandeira pré-revolução é um ato de desafio político, já que o governo iraniano a considera um símbolo separatista e antirrevolucionário. Dentro do Irã, portar ou exibir publicamente essa bandeira pode levar a prisão e acusações de propaganda contra o Estado. Durante a Copa do Mundo de 2022, a Federação de Futebol do Irã proibiu torcedores de levar a bandeira do Leão e do Sol aos estádios, mas muitos a exibem em casa ou em telas de televisão durante as transmissões.
O contexto dos protestos no Irã
A controvérsia em torno da bandeira ganhou força após os protestos que eclodiram no Irã em setembro de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral. Os manifestantes, que pedem o fim do regime islâmico, adotaram a bandeira pré-revolução como um dos símbolos de sua luta. "A bandeira oficial representa opressão, enquanto a do Leão e do Sol representa o Irã que queremos", diz uma ativista iraniana em Los Angeles.
A seleção iraniana de futebol, por sua vez, enfrenta pressão tanto do governo quanto dos torcedores. Durante a Copa do Mundo, alguns jogadores se recusaram a cantar o hino nacional em sinal de solidariedade aos protestos, e a federação de futebol foi criticada por não permitir que os atletas usassem braçadeiras de apoio aos manifestantes. A bandeira na camisa, portanto, tornou-se um ponto focal de tensão entre a diáspora e o regime.
A comunidade iraniana em Los Angeles
Los Angeles abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, com cerca de 500 mil pessoas, muitas das quais são exiladas políticas ou descendentes de famílias que fugiram após a revolução. Para eles, a Copa do Mundo é uma oportunidade de mostrar sua cultura e sua oposição ao governo de Teerã. "Quando vejo a bandeira do Leão e do Sol sendo hasteada em Los Angeles, sinto que minha voz é ouvida", diz um torcedor que organiza exibições públicas dos jogos do Irã.
No entanto, a exibição da bandeira pré-revolução não é unânime entre os iranianos. Alguns a consideram um símbolo de um período monárquico que também teve seus problemas, como a repressão política sob o xá. Mas para a maioria dos que a usam hoje, ela representa a esperança de um Irã democrático e laico.
Enquanto a Copa do Mundo prossegue, a bandeira que os iranianos não podem hastear em casa continua a ser um poderoso símbolo de resistência e identidade para a diáspora.
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