Por que Pulisic está pronto para levar os EUA ao próximo nível, segundo Giroud

Resumo breve
Olivier Giroud, ex-companheiro de Christian Pulisic no Chelsea e no Milan, analisa o potencial do atacante americano na Copa do Mundo.
Olivier Giroud, ex-companheiro de Christian Pulisic no Chelsea e no AC Milan, acredita que o atacante americano está pronto para levar a seleção dos Estados Unidos a um novo patamar na Copa do Mundo. Em entrevista à BBC Sport, o francês, agora comentarista do torneio, analisou a trajetória e o potencial de Pulisic, destacando sua evolução como jogador e pessoa.
Aposentadoria da seleção e nova perspectiva
Giroud, que se aposentou da seleção francesa após a Eurocopa de 2024, admite que sente falta de estar em campo, mas não se arrepende da decisão. "Você precisa saber quando parar. Para mim, era a hora certa. Eu tinha 37 anos, o técnico não me escalava tanto e via a qualidade dos atacantes que estavam surgindo", explicou. Agora, como torcedor, ele deseja ver a França conquistar o terceiro título mundial. "As expectativas dos torcedores são algo que você não vê quando está em campo. Agora que sou um deles, entendo melhor."
A pressão sobre Pulisic e sua maturidade
Giroud conhece bem Pulisic, com quem jogou no Chelsea e no Milan. "Não me surpreendi com a atuação dele contra o Paraguai. Ele tem o que é preciso para levar os EUA ao próximo nível nas próximas semanas", afirmou, torcendo para que o problema na panturrilha que o fez sair no intervalo não seja grave. O francês relembra que, quando Pulisic chegou ao Chelsea em 2019, vindo do Borussia Dortmund, já era um jogador importante para a seleção americana, carregando esperanças e pressão. No Milan, era chamado de 'Capitão América' pela equipe, mesmo sem a braçadeira, por ser a estrela do time e ter sucesso na Europa.
"Ele tinha uma grande responsabilidade, era o rosto principal da equipe. Agora é a mesma coisa, mesmo tendo uma temporada mediana no Milan. Começou bem, mas o time caiu e não se classificou para a Champions League, e ele passou meses sem marcar", disse Giroud. "Mas, independentemente do que acontece no clube, sempre há essa expectativa em torno dele para render pelos EUA, e críticas quando não acontece."
Para Giroud, a força mental é crucial, e Pulisic a desenvolveu ao superar momentos difíceis, como lesões e más fases. "Alguns acharam que ele errou ao pular a última Copa Ouro, quando disse a Pochettino que precisava descansar. Mas eu confiei nele, porque ele conhece o próprio corpo melhor que ninguém. Ele estava pensando neste verão, e o mais importante era o que acontecesse agora." O francês acredita que, aos 27 anos, Pulisic está mais maduro e pronto para a responsabilidade, tanto mental quanto fisicamente.
Personalidade e estilo de jogo
Giroud descreve Pulisic como alguém tímido no início, mas que se abre quando bem conhecido. "Ele é muito atencioso, cuida das pessoas, e sempre me fez rir. Nos demos bem de cara." Em campo, a sintonia foi imediata. "Eu jogava como referência e precisava de velocidade e movimentação ao redor. Ele atuava entre as linhas, buscando a bola e aproveitando meus passes. Christian me lembrava Eden Hazard, pela forma como enfrentava os adversários e driblava com facilidade."
No entanto, Giroud aponta uma diferença: "Eden jogava por diversão, sem se questionar muito. Já Christian, às vezes, colocava muita pressão sobre si mesmo, com muitas coisas na cabeça. Isso o fazia jogar abaixo do potencial no Chelsea." Mas no Milan, a partir de 2023, Pulisic se soltou. "Eu disse aos meninos que ele seria um grande reforço. Ele elevou o nível e jogou com a confiança necessária."
O crescimento na Itália veio com a idade e a experiência. "Na Premier League, ele enfrentou times e defensores difíceis. Na Serie A, aprendeu a lidar com equipes que, taticamente, focavam nele como atacante." Giroud destaca a importância da coesão: "Quando jogávamos com Rafael Leao, Christian e eu no ataque, nos complementávamos muito. É esse tipo de entrosamento que os EUA precisam."
"Christian precisa dos companheiros, não pode fazer tudo sozinho. Mas, com os jogadores certos, ele pode carregar o time, porque tem experiência e qualidade." O francês considera crucial que Pulisic tenha encerrado o jejum de gols contra Senegal no fim de maio, ganhando confiança para a Copa. "Ninguém espera que os EUA vençam o Mundial, mas, se chegarem às oitavas, ele será fundamental."
Giroud conclui: "Sempre achei que os EUA têm sorte de tê-lo, porque ele tem habilidade E inteligência. Talento sozinho não basta; sem foco, não se conquistam coisas incríveis. Desejo a ele tudo de melhor."
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