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O que você precisa saber sobre a RD Congo, adversária da InglaterraA República Democrática do Congo enfrenta a Inglaterra nas oitavas de final da Copa do Mundo, 52 anos após sua estreia humilhante./images/pt/2026/06/o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-rd-congo-adversaria-da-inglaterra-ed732cd7-800w.webpO que você precisa saber sobre a RD Congo, adversária da Inglaterra

O que você precisa saber sobre a RD Congo, adversária da Inglaterra

Atualizado 5 min read
Jogadores da República Democrática do Congo em campo, com a bandeira do país ao fundo, durante a Copa do Mundo — latest news and analysis.

Resumo breve

A República Democrática do Congo enfrenta a Inglaterra nas oitavas de final da Copa do Mundo, 52 anos após sua estreia humilhante.

Após 52 anos de espera, a República Democrática do Congo conquistou a redenção ao se classificar para as oitavas de final da Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. A equipe enfrenta a Inglaterra na quarta-feira, 1º de julho, em busca de um lugar nas quartas de final.

O renascimento sob Sébastien Desabre

Quando Sébastien Desabre assumiu o comando da seleção congolesa há quase quatro anos, a equipe vivia uma crise. O técnico francês, de 49 anos, transformou o time, levando-o ao quarto lugar no Campeonato das Nações Africanas de 2023 e, agora, à fase eliminatória da Copa do Mundo. Esta é a 11ª passagem de Desabre por um clube ou seleção africana; ele já havia obtido sucesso com Uganda.

Desabre implementou disciplina e conhecimento tático. Pouco antes da Copa, testou uma linha defensiva de cinco jogadores, mantida nos dois primeiros jogos do torneio — incluindo um empate com Portugal — antes de mudar para o 4-4-2 na vitória sobre o Uzbequistão.

Forças e fraquezas da RD Congo

Solidez defensiva

A melhora da equipe se baseia na solidez defensiva: sob o comando de Desabre, a RD Congo manteve 29 jogos sem sofrer gols em 57 partidas. Desde que assumiu, a equipe nunca perdeu por mais de um gol de diferença quando pôde contar com jogadores que atuam na Europa.

Ataque veloz

Os contra-ataques rápidos exploram a velocidade dos atacantes Cédric Bakambu e Yoane Wissa, que são especialistas em infiltrar-se atrás das defesas adversárias.

Resiliência mental

A resiliência mental, muitas vezes ausente no passado, foi forjada durante uma longa campanha de qualificação que incluiu três jogos de repescagem.

Fraquezas

A RD Congo raramente enfrentou seleções do top-20 mundial nos últimos anos, com exceção de Senegal e Marrocos — contra os quais tem um histórico ruim. Além disso, a maioria dos titulares da seleção teve pouco tempo de jogo em seus clubes na temporada 2025-26, o que levanta preocupações sobre condicionamento físico e qualidade.

Jogadores-chave

Chancel Mbemba

O zagueiro central Chancel Mbemba, de 31 anos, é o capitão e o jogador com mais partidas pela seleção. Apesar de ter sido figura periférica em clubes franceses nas últimas duas temporadas, continua sendo peça fundamental para o país. Ex-jogador do Newcastle, Mbemba está sem contrato com o Lille neste verão.

Noah Sadiki

Nascido na Bélgica, Noah Sadiki trouxe dinamismo ao meio-campo congolês desde sua estreia em setembro de 2024, embora tenha sido uma surpreendente ausência nos dois primeiros jogos da Copa. O jovem de 21 anos, contratado pelo Sunderland por £15 milhões, impressiona por sua energia, atletismo e capacidade de condução de bola.

Yoane Wissa

A temporada 2025-26 de Yoane Wissa nunca decolou após sua transferência para o Newcastle em um negócio que pode chegar a £55 milhões. Uma grave lesão no joelho atrasou sua estreia, e ele fez apenas oito partidas como titular em todas as competições. No entanto, o atacante de 29 anos foi o artilheiro africano na fase de grupos da Copa, com três gols. "Conseguimos trazê-lo de volta ao seu melhor nível", disse o técnico Desabre.

Cédric Bakambu

Aos 35 anos, Cédric Bakambu é o jogador mais velho do elenco, mas ainda um dos mais eficazes. O atacante marcou quatro vezes nas eliminatórias da Copa do Mundo e está perto de se tornar o maior artilheiro da história do país.

Campanha na Copa do Mundo

A RD Congo conquistou o primeiro ponto de sua história em Copas ao segurar Portugal em um empate por 1 a 1, mas depois perdeu por 1 a 0 para a Colômbia. Isso obrigou a equipe a vencer o Uzbequistão, o que fez por 3 a 1, garantindo a vaga nas oitavas como um dos melhores terceiros colocados.

Contexto histórico

O provérbio congolês "pouco a pouco, as bananas crescem" enfatiza as virtudes da paciência e do progresso constante. Mas durante os 52 anos de ausência da seleção nacional das Copas do Mundo — a quarta maior lacuna entre participações de qualquer nação — a paciência se esgotou e o progresso estagnou. Até agora.

Houve uma determinação em mudar a narrativa da Copa do Mundo do país após uma estreia em 1974 que os deixou expostos ao ridículo. O Zaire, como a RD Congo era então conhecido, perdeu todos os três jogos, incluindo uma goleada de 9 a 0 para a Iugoslávia.

Depois veio o infame momento em que o lateral-direito Mwepu Ilunga saiu correndo de uma barreira defensiva para chutar a bola para longe enquanto o Brasil se preparava para cobrar uma falta. Observadores perplexos não sabiam que era um ato de protesto político. Os jogadores haviam descoberto que seus salários e bônus esperados não seriam pagos — e o presidente do Zaire, Mobutu, ameaçou exilá-los se perdessem por mais de três gols de diferença contra o Brasil. Ao chutar a bola, Ilunga esperava perder tempo e ser expulso. Ele só levou cartão amarelo, e o Zaire perdeu por 3 a 0; os jogadores puderam voltar para casa, mas o presidente Mobutu cortou seu financiamento.

Desde então, os campeões africanos de 1968 e 1974 foram mantidos à margem do futebol por uma combinação de conflitos, corrupção, má governança esportiva e falta de infraestrutura. O atual técnico Desabre trouxe novos talentos da vasta diáspora congolesa — todos, exceto seis dos convocados para a Copa, nasceram na Europa — e a nação agora colhe os frutos de sua paciência infinita.

Onde assistir

A partida das oitavas de final entre Inglaterra e RD Congo será transmitida ao vivo pela BBC One na quarta-feira, 1º de julho, com pré-jogo a partir das 16:00 BST. A cobertura também estará disponível na BBC Radio 5 Live, no site e aplicativo da BBC Sport.

Curiosidade

O superfã Michel Kuka Mboladinga, que viralizou no Campeonato das Nações Africanas por seu patriotismo chamativo durante os jogos, foi incluído na delegação oficial da RD Congo na Copa a pedido dos jogadores. Desde 2013, Mboladinga usa ternos coloridos e imita silenciosamente uma estátua do reverenciado líder revolucionário Patrice Lumumba, com um braço levantado, durante partidas inteiras.

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