Kane e Bellingham: a dupla de superestrelas que se tornou o 'Wonderwall' da Inglaterra

Resumo breve
Harry Kane e Jude Bellingham marcaram 10 dos 11 gols da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026, uma dependência recorde entre as seleções restantes.
Depois que Jude Bellingham abriu o placar para a Inglaterra contra o México no Estádio Azteca, ele e Harry Kane foram os últimos a se afastar das comemorações. Deixados para trás pelos companheiros após a primeira onda de celebrações, a dupla ficou lado a lado, braços estendidos, absorvendo o reconhecimento dos torcedores ingleses que haviam ido em massa à Cidade do México. Essa é uma das imagens que definem a campanha inglesa na Copa do Mundo de 2026.
Kane e Bellingham foram fundamentais na suada vitória por 3 a 2 sobre o México nas oitavas de final. Menos de dois minutos após o primeiro gol, o capitão deu a assistência para o meia do Real Madrid completar uma dobradinha rápida que silenciou os torcedores da casa. Depois, veio o momento de Kane. Com a Inglaterra em desvantagem numérica devido ao cartão vermelho de Jarell Quansah e o México reagindo, o atacante de 32 anos converteu calmamente um pênalti que se mostrou o gol da vitória — poucos jogadores são tão confiáveis quanto ele na marca da cal.
A Inglaterra está nas quartas de final, e suas chances no torneio parecem cada vez mais ligadas à forma e ao impacto de Kane e Bellingham em campo. Erling Haaland e a Noruega representarão outro teste formidável para a equipe de Thomas Tuchel no sábado, em Miami. Mas até que ponto as ambições inglesas na Copa dependem dessa dupla dinâmica?
A dependência da Inglaterra na dupla
A resposta curta? Muito. Entre eles, Kane e Bellingham marcaram 10 dos 11 gols da Inglaterra na Copa — Marcus Rashford fez o outro, saindo do banco, para selar a vitória por 4 a 2 contra a Croácia na estreia. Isso significa que Kane (seis gols) e Bellingham (quatro) contribuíram com impressionantes 90,9% da produção ofensiva total da equipe, o maior percentual entre todas as seleções restantes no torneio.
A França, favorita ao título, vem em segundo lugar nesse quesito, com 78,6%, já que Kylian Mbappé (sete) e Ousmane Dembélé (quatro) marcaram 11 dos 14 gols franceses. Kane é responsável por 34,6% dos gols esperados (xG) da Inglaterra, e Bellingham contribuiu com mais 20,3%. Juntos, a dupla gerou mais da metade do ataque inglês (54,9% do xG total). Kane também tentou 23,8% dos chutes da Inglaterra e 31,3% dos chutes no alvo, enquanto Bellingham registrou outros 28,1% dos chutes no alvo — números que ressaltam sua importância para a equipe.
No entanto, esta não é a primeira vez que a Inglaterra depende tanto de dois jogadores para marcar gols em um grande torneio. Na Copa do Mundo de 1990, Gary Lineker marcou quatro e David Platt três dos oito gols ingleses — ou seja, eles foram responsáveis por 87,5% do total. Situação semelhante ocorreu seis anos depois, na Eurocopa, quando Alan Shearer (cinco) e Teddy Sheringham (dois) marcaram sete dos oito gols da equipe. Em ambas as ocasiões, a campanha inglesa parou nas semifinais, com derrota nos pênaltis para a Alemanha.
Uma parceria devastadora
No entanto, há outra maneira de ver a dependência inglesa em Kane e Bellingham. Enquanto Argentina e Noruega dependem fortemente de um talismã — Lionel Messi e Erling Haaland, que marcaram 70% e 63,6% dos gols de suas equipes, respectivamente —, o fardo ofensivo da Inglaterra é compartilhado por uma dupla devastadora. Essa parceria não apenas distribui a responsabilidade, mas também torna o ataque mais imprevisível para os adversários.
A sintonia de Kane e Bellingham dentro e fora de campo
Juntos, Kane e Bellingham somam 172 partidas pela Inglaterra. Embora Bellingham tenha quase dez anos a menos que Kane, o meia-atacante do Real Madrid já tem seis anos de experiência em nível internacional. O atacante do Bayern de Munique, Kane, fez sua estreia pela Inglaterra há 11 anos. É essa experiência, aliada ao status de superestrelas, que os tornou parte do grupo de liderança da seleção.
Ambos têm experiência em grandes jogos e grandes clubes. Também são vocalistas no vestiário. Kane agradece a presença de Bellingham no grupo de liderança, enquanto Bellingham aprecia como Kane sempre o apoiou publicamente. O vínculo entre os dois é reforçado pela imitação das comemorações um do outro. Vimos isso novamente contra o México, quando ambos posaram com os braços estendidos diante da torcida, no estilo característico de Bellingham.
O mais importante é que, em campo, a dupla se encaixa bem. As corridas de Bellingham abrem mais espaço para Kane, enquanto o capitão inglês é altruísta na criação de gols para o companheiro, como aconteceu na partida contra o México. Essa química será crucial para a Inglaterra superar a Noruega e avançar ainda mais no torneio.
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