AIEA exige que Irã forneça informações sobre seu estoque nuclear

Resumo breve
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução exigindo que o Irã forneça informações detalhadas sobre seu estoque nuclear, aumentando a pressão sobre Teerã em meio a impasses nas negociações.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução que exige que o Irã forneça informações abrangentes sobre seu estoque nuclear, intensificando a pressão diplomática sobre Teerã. A medida, apoiada por países ocidentais, ocorre em meio a crescentes preocupações sobre as atividades nucleares iranianas e o impasse nas negociações para reviver o acordo nuclear de 2015.
Detalhes da resolução
A resolução, apresentada pelos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, foi aprovada durante uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA em Viena. Ela exige que o Irã responda a perguntas sobre partículas de urânio enriquecido encontradas em locais não declarados, além de fornecer informações sobre seu estoque atual de urânio enriquecido e atividades relacionadas. A AIEA busca esclarecer se o Irã cumpriu suas obrigações de salvaguardas, especialmente após a descoberta de material nuclear não declarado em três locais.
Reação do Irã
O governo iraniano rejeitou a resolução, classificando-a como politicamente motivada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, afirmou que a medida "não contribuirá para a cooperação construtiva" e que Teerã continuará seu programa nuclear dentro dos limites do direito internacional. O Irã também ameaçou tomar medidas retaliatórias, como a expansão de seu programa de enriquecimento de urânio, caso a pressão continue.
Contexto e implicações
A resolução da AIEA ocorre em um momento de tensões elevadas entre o Irã e as potências ocidentais. As negociações para reviver o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), que limitava o programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções, estão estagnadas desde 2022. O Irã tem enriquecido urânio a níveis próximos a 60%, bem acima do limite de 3,67% estabelecido no acordo, levantando preocupações sobre a possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares. A AIEA já havia relatado que o Irã não cooperou totalmente com as investigações sobre locais não declarados, e a nova resolução busca forçar maior transparência.
Especialistas alertam que a escalada pode levar a uma crise diplomática mais ampla, com possíveis sanções adicionais contra o Irã e um aumento das tensões regionais. Enquanto isso, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, continua a buscar um diálogo direto com as autoridades iranianas para resolver as questões pendentes.
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