O maior jogo da Inglaterra desde 1966: Três Leões buscam a imortalidade

Resumo breve
A Inglaterra enfrenta a Argentina na semifinal da Copa do Mundo de 2026, no que é considerado seu jogo mais importante desde a conquista do título em 1966. Com uma rivalidade histórica e a chance de chegar à primeira final masculina em 60 anos, a partida promete emoção e tensão.
A Inglaterra tem a oportunidade de dar um passo gigante rumo à imortalidade ao enfrentar a Argentina na semifinal da Copa do Mundo, no que é seu jogo mais importante desde a vitória na final de 1966, em Wembley.
Os Três Leões chegaram a duas semifinais de Copa do Mundo nas seis décadas desde então — na Itália em 1990 e na Rússia oito anos atrás — mas esta edição reacende uma velha rivalidade, adicionando camadas de história e subtramas polêmicas.
A Inglaterra perdeu as duas últimas finais do Campeonato Europeu, mas, sob o teto do futurista Estádio de Atlanta, o técnico Thomas Tuchel e seus jogadores têm a chance de se inscrever na lenda ao alcançar a primeira final masculina de Copa do Mundo do país em 60 anos.
O fato de a coletiva de imprensa pré-jogo de Tuchel ter lotado, mesmo tendo sido transferida para um local maior, ilustra a escala do interesse global neste capítulo.
A partida de quarta-feira (20:00 BST) é a mais recente chance da Inglaterra de finalmente chegar a outro grande evento global — uma barreira que se mostrou intransponível desde que a equipe de Sir Alf Ramsey levantou o troféu Jules Rimet em 1966.
O histórico recente da Inglaterra: 'quase, mas não'
O histórico recente da Inglaterra em grandes torneios é bom — mas não bom o suficiente. A única moeda que conta no nível de elite são os troféus, e até agora vencer um tem se mostrado dolorosamente fora do alcance desta seleção inglesa.
A jornada até as semifinais da Copa do Mundo de 2018 foi amplamente considerada uma surpresa agradável, mas terminou mal, com Sir Gareth Southgate e sua equipe parecendo congelados em conservadorismo depois que Kieran Trippier deu a vantagem à Inglaterra aos cinco minutos contra a Croácia, em Moscou, e eles perderam por 2 a 1 na prorrogação.
Avançando para a final da Euro 2020 adiada, realizada em Wembley em julho de 2021, a Inglaterra desperdiçou outra oportunidade em circunstâncias semelhantes às da Copa de 2018 — os Três Leões foram novamente tomados pela inércia depois que Luke Shaw marcou aos dois minutos e perderam nos pênaltis para a Itália.
Esta é a mesma Itália que nem sequer se classificou para as últimas três Copas do Mundo. Foi uma oportunidade perdida, especialmente em casa, em Wembley.
A derrota nas quartas de final da Copa do Mundo para a França, no Catar, há quatro anos, foi simplesmente um caso de uma boa equipe sendo derrotada por uma melhor, embora a agonia tenha sido agravada por um raro pênalti perdido por Harry Kane no final.
A subsequente campanha até a final da Euro 2024 foi irregular, com alguns momentos de destaque, mas culminou em uma atuação decepcionante na final em Berlim, quando a Espanha venceu a equipe de Southgate por 2 a 1.
Tuchel disse: "Queremos extrair o último pedaço. Queremos dar o próximo passo. Gosto muito da energia em nosso acampamento. Os jogadores estão muito animados, muito ambiciosos. É exatamente o que precisamos para este jogo."
Seis décadas de controvérsia
O que torna uma semifinal de Copa do Mundo contra a Argentina diferente dos encontros com a Alemanha Ocidental em 1990 e a Croácia em 2018 é a história de antipatia esportiva e controvérsia entre as duas equipes, que remonta a 1966.
As quartas de final em Wembley, em uma tarde ensolarada de sábado, há 60 anos, são mais lembradas pela expulsão do brilhante, mas temperamental, capitão argentino Antonio Rattin, que ameaçou provocar uma saída de campo de seus companheiros.
Rattin, que morreu em 11 de julho aos 89 anos, foi finalmente persuadido a sair, mas o rancor durou muito depois do gol tardio de Geoff Hurst, com o técnico da Inglaterra, Ramsey, famosamente se recusando a permitir que seus jogadores trocassem camisas com a Argentina, mais tarde os descrevendo como "animais".
Inglaterra e Argentina se encontraram em outra quartas de final no Estádio Azteca, na Cidade do México, durante a Copa do Mundo de 1986, com a Guerra das Malvinas, quatro anos antes, servindo de pano de fundo.
Foi o dia da infame "Mão de Deus" de Diego Maradona — bem como de seu brilhante segundo gol — quando a Argentina venceu por 2 a 1 e depois conquistou a Copa do Mundo.
A Copa de 1998 na França proporcionou um clássico jogo das oitavas de final, mais lembrado por um irritado David Beckham ser expulso por chutar Diego Simeone, e pelo gol solo que elevou um jovem Michael Owen, de 18 anos, ao status de superstar global.
A Argentina prevaleceu nos pênaltis, proporcionando mais uma dor de cabeça na Copa do Mundo para os Três Leões.
Ainda havia ressentimento persistente entre as duas equipes quando se encontraram novamente quatro anos depois, em um jogo de grupo da Copa do Mundo sob a cúpula de Sapporo, no Japão.
Desta vez, foi a redenção para Beckham, que marcou o gol da vitória com um pênalti no primeiro tempo, mas a Argentina reclamou alto e bom som — insistindo que Owen havia simulado em meio a um desafio do futuro técnico do Tottenham Hotspur, Mauricio Pochettino.
Tuchel disse: "É uma rivalidade muito grande entre duas grandes nações do futebol. Poderia dizer que a história é irrelevante, mas não tenho certeza. Os jogadores estão cientes disso. Quando um confronto proporciona tantos momentos icônicos, você não pode dizer que é apenas mais um jogo de futebol."
O técnico da Argentina, Lionel Scaloni — que representou seu país na Copa do Mundo de 2006 — acrescentou: "Todos nós temos histórias desse tempo passado e dessa história, e tudo isso torna tudo muito emocionante."
É esse pano de fundo, essa história de acrimônia, que eleva este encontro acima das outras semifinais.
A Inglaterra teve muitos jogos memoráveis nas últimas seis décadas — mas vencer esta partida superaria todos eles e ofereceria a chance de um triunfo histórico na final da Copa do Mundo de domingo contra a Espanha.
O fator Messi
Poderia esta Copa do Mundo ser a última dança do gênio argentino Lionel Messi?
Ele finalmente conseguiu realizar seu sonho de vencer o troféu no Catar 2022, ajudando a compensar a dor passada, incluindo a derrota na final de 2014 para a Alemanha no Rio de Janeiro.
Messi pode agora ter 39 anos, mas ainda tem brilhantismo em suas chuteiras e em seu cérebro, mesmo que grande parte de seu trabalho seja feito em ritmo de caminhada atualmente.
Ele caminhou 47% da distância que percorreu até agora nesta Copa do Mundo, a maior porcentagem de qualquer jogador de linha no torneio.
Mas Messi continua sendo a inspiração da Argentina e o desejo de vencer uma segunda Copa do Mundo arde ferozmente, como mostraram suas lágrimas de alívio e alegria depois que sua equipe marcou três gols nos últimos 11 minutos para vencer o Egito nas oitavas de final, depois de estar perdendo por 2 a 0 e enfrentando uma eliminação impressionante.
Ele continua sendo o jogador que a Inglaterra temerá — e o homem que carrega as esperanças de sua nação, bem como de seus companheiros de equipe.
O técnico da Inglaterra, Tuchel, disse: "Messi é simplesmente incrível. Não há palavras para o seu tipo de conquista, com a qualidade e liderança que ele mostra. Ele é o líder e o jogador-chave em qualquer equipe em que joga, e está nesta equipe argentina."
Kane e Bellingham de classe mundial lideram o caminho
A Inglaterra tem a história a seus pés — e em Jude Bellingham e Kane tem dois jogadores de classe mundial que os levaram às semifinais.
Tuchel, entretanto, é um dos técnicos mais respeitados do mundo, que abertamente aprecia o vai-e-vem do futebol eliminatório — como provou ao vencer a Liga dos Campeões com o Chelsea em 2021.
Sua equipe marcou 13 gols nesta Copa do Mundo, mas 12 deles vieram de Bellingham e Kane. Marcus Rashford, com o gol final na vitória de abertura por 4 a 2 contra a Croácia, é o único outro jogador a marcar até agora.
Isso pode sugerir que a Inglaterra está confiando demais em Bellingham e Kane, mas igualmente mostra como seus dois jogadores-chave estão na forma de suas vidas.
Se a Inglaterra ocasionalmente hesitou, o mesmo aconteceu com a Argentina, que escapou de situações difíceis contra Cabo Verde, Egito e Suíça na fase eliminatória.
Como a Inglaterra, a Argentina viveu no limite — e Tuchel esperará que este seja o dia em que eles não consigam escapar.
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